A história repete-se por José do Carmo Francisco

Em resumo 27

Faz hoje cinquenta e dois anos que fui com o meu grande amigo e camarada de armas (o Nabais) para dar um recado a alguém numa casa de um bairro de Lisboa. Eu e ele éramos dois dos noventa e três furriéis que havia nesse tempo (30-4-1974) no Regimento de Engenharia nº 1 na Pontinha. Eu pertencia à Administração Militar e ele era Agente Técnico de Engenharia. Parámos nessa casa e nessa rua desse bairro porque ele tinha um recado para a namorada, uma jovem de Cabo Verde que apesar de ter apenas dezanove anos já tinha uma filha com dois anos de idade. Hoje, dia 30 de Abril de 2026, vi num autocarro de Lisboa um casal muito jovem; a rapariga estava de costas para mim envergava uma T Shirt amarela com a indicação de «Ramo Grande Cup Azores». Não é preciso imaginar muito para pensar que esta jovem de hoje pode ser neta da jovem que estava no apartamento naquele dia 30 de Abril de 1974. Havia na casa convívio entre gente dos Açores e de Cabo Verde. Sem grande esforço se pode imaginar-se que essa jovem de 1974 tinha nascido em 1951 (como eu) e que a sua filha ou filho nasceu em 1978 (como a minha filha Ana) tendo a neta nascido em 2006 como o meu neto Tomás. O jovem furriel de 1974 é hoje o idoso de 75 anos que não se cansa de escrever que a vida é um mistério e nunca um negócio. Em resumo: a história repete-se.

José do Carmo Francisco, escritor

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