
Nota introdutória
Vamberto Freitas: a literatura como território de encontro
Há pontes que se constroem com pedra e cimento, outras com interesses económicos ou afinidades políticas. E há aquelas, talvez as mais duradouras, que se erguem silenciosamente através dos livros, das ideias e da capacidade de reconhecer no outro uma parte da nossa própria existência. Ao longo de mais de quatro décadas, Vamberto Freitas tem sido um dos mais importantes construtores dessa geografia intelectual que aproxima os Açores da América, a literatura açoriana da literatura norte-americana e a experiência da emigração das grandes interrogações universais da condição humana.
Os dois ensaios que aqui se reproduzem constituem exemplos particularmente elucidativos desse percurso. Num deles, Vamberto Freitas aproxima-se da obra de Álamo Oliveira, reconhecendo na sua representação literária da emigração uma profunda restituição da dignidade humana aos açorianos que atravessaram o Atlântico. No outro, conduz-nos ao universo de James Salter, interrogando a literatura norte-americana a partir de uma familiaridade cultural e de uma exigência crítica que ultrapassam fronteiras linguísticas e geografias nacionais. Em ambos encontramos a mesma inteligência interpretativa, a mesma curiosidade intelectual e, sobretudo, a convicção de que nenhuma literatura verdadeiramente significativa existe isolada das outras.
É precisamente nesta reciprocidade que reside a singularidade do trabalho de Vamberto Freitas. Não se limita a apresentar escritores americanos aos leitores açorianos, nem escritores açorianos aos leitores da América. Faz algo substancialmente mais importante: coloca essas literaturas em diálogo, descobre afinidades onde outros apenas reconheceriam distâncias e demonstra que a experiência açoriana, incluindo a da sua diáspora, pertence plenamente às grandes conversas da literatura contemporânea.
Ler estes dois textos é, por isso, mais do que revisitar duas obras literárias. É reconhecer a dimensão de um trabalho intelectual persistente, muitas vezes insuficientemente compreendido, cuja importância para a nossa memória cultural merece uma reflexão que não podemos continuar a adiar.
Diniz Borges, Filamentos
Fatias-de-vida numa América em transição
Chega uma altura em que percebemos que tudo é sonho, e só as coisas guardadas por escrito têm alguma possibilidade de ser reais.
James Salter, Tudo o que conta
Vamberto Freitas

Li uma edição em inglês do novo e último romance de James Salter – falecido aos 90 anos de idade a 10 de Junho deste ano — All That Is, sabendo que tinha sido traduzido em Portugal, e publicado pela Livros do Brasil, com o título de Tudo o que conta (em mais uma notável tradução de Francisco Agarez, que eu viria a ler depois), mas é-me por vezes difícil querer ler um autor norte-americano pela primeira vez, e fazê-lo em tradução, a minha longa formação americana não o permite, ou pelo menos desaconselha-me com alguma frequência. Ao contrário de muitos outros leitores, não nutro nada contra as traduções literárias – sem elas não teríamos conhecimento da melhor literatura do mundo, não haveria qualquer influência mútua entre línguas e culturas, perderíamos boa parte da nossa capacidade de nos vermos e entendermos na pele do outro, nos mundos que à distância não necessitam de perder o seu mistério ou estranheza para que possamos sentir a pertença, que provavelmente também quer dizer, vagamente, universalidade. Edmund Wilson, que havia passado boa parte da sua vida rodeado de luso-americanos em Cape Cod e um dos críticos canónicos do modernismo do seu país, punha-se a aprender línguas (francês, russo, hebraico, húngaro – para ler o que mais despertava o seu interesse e curiosidade, e dizia que desconfiava sempre das traduções, de todas as traduções, e apontou em certa ocasião e publicamente como exemplo negativo o seu próprio amigo Vladimir Nabokov, quando este traduziu para inglês Eugene Onegin, de Alexander Pushkin. Claro que exagerava, e isso manteve-o alheio a algumas das melhores literaturas do mundo, inclusive a nossa e as de língua hispânica. Já no fim da vida, revia alguns dos seus preconceitos culturais, e lamentava-se não ter lido algumas obras latino-americanas que nos anos 70 do século passado já estavam muito presentes nos departamentos de línguas e literaturas de quase as universidades norte-americanas. Numa carta ao seu colega V. S. Pritchett, o ficcionista e ensaísta britânico, dizia que queria ler Eça de Queirós, mas, uma vez mais, não o fazia por desconhecer completamente a língua do nosso escritor. Ironicamente, ou talvez não, o filho de Wilson, e da nada menos conhecida escritora Mary MacCarthy, Raul K. Wilson, viria a tornar-se professor universitário de literatura comparada, e o Português é uma das línguas que conhece; quem sabe se ouvia uma ou outra palavra nossa dita por alguns luso-descendentes quando passava os verões com o pai em Wellfleet. Seja como for, suponho que outros no nosso país vivem o mesmo dilema quanto às suas leituras, que irá acontecendo cada vez mais, mesmo entre quem nunca viveu noutros países, mas conhece vários idiomas devido a afectos culturais electivos. São estas as nossas outras comunidades imaginárias – vividas ao longe e através da palavra, mas parte íntima do nosso modo de ser e estar. Não queria alongar-me mais nesta questão, só que o romance de James Salter merece inteiramente algumas destas considerações agora que está presente nas nossas livrarias à procura de leitores, que creio não ficarão desiludidos com a descoberta de um autor maior, e que no seu próprio país nunca esteve demasiado exposto à publicidade do costume, apesar de ter tido uma vida que lhe teria permitido um acto contínuo de auto-promoção. Aliás, também foi guionista de cinema, e o seu primeiro romance, The Hunters (1965), uma transfiguração da sua longa experiência no Pacífico durante a II Guerra Mundial e vida como piloto na Força Área Americana viria a ser a base do filme com o mesmo título dois anos depois, e com Robert Mitchum no papel principal.
Se o parágrafo introdutório aqui ameaçava correr em todos as direcções, o próprio romance All That Is/Tudo o que conta tem uma estrutura semelhante – é feito de curtos capítulos cujos títulos vão-nos indicando nomes de personagens, sítios, cidades, países, datas, ou incidentes numa só palavra resumidos ou insinuados. Desde algum tempo que não lia um volume com quase quatrocentas páginas de uma leveza extraordinária, sem que isso deixe de conter todas as significações imagináveis com que a sua linguagem caracteriza cada personagem, a marca de um acto literário que, mais do que qualquer unidade de vida do seu personagem ou das personagens que se atravessam nos seus percursos existenciais, nos faz recordar ou nos imprime na nossa memória cada um desses seres inventados, são eles que carregam em si, individualmente ou como parte de um todo que deve ser a construção de um imaginário convincente, tudo o que poderá definir esse suposto significado que devem ter as suas e nossas vidas. A narrativa inicia-se com o protagonista, Philip Bowman, em combate no Pacífico e vem até à primavera de 1984, numa cena irónica de mais um casamento, uma cerimónia que se repete, assim como outras contadas diversas vezes no romance, o amor e o sexo quase sempre em contradição. Tudo o que o narrador nos apresenta é feito dessas cenas meio solenes meio corriqueiras, quase todos sabendo de antemão o destino que lhes está guardado. Ante esta desintegração de sonhos na modernidade, os únicos relacionamentos estáveis vêm muito de trás, dos pais e avós destas personagens, recordados sempre como que em contraponto à liberdade infeliz do presente. Se as nossas vidas são feitas de pedaços que só em restrospectiva parecem significar algo no fim de cada um, esses pedaços tragicamente são “tudo o que conta”. O próprio Philip casa cedo com uma patricinha sulista de Virgínia, que conheceu num bar nova-iorquino nos anos de festa e ilusões do pós-Guerra, filha de uma aristocracia quase feudal, que passa o dia a correr a cavalo nas suas herdades, o que sabemos também logo à partida estar condenado ao falhanço. Este é um mundo de, como outros já apontaram, da classe branca, de uma América que deixou de existir há muito tempo, de uma sociedade que se dava ao luxo do dinheiro e do carreirismo como se mais ninguém viesse um dia a demandar a repartição do bolo. Curiosamente, James Salter era um judeu-americano de segunda geração, nos anos em que os intelectuais de Nova Iorque praticamente dominavam a cultura literária erudita, reinventando outras linguagens e pela primeira vez criando novos imaginários de uma literatura até então provinciana. No próprio romance, o narrador deixa cair ou insinua e disfarça alguns outros escritores de imediato reconhecidos pelos leitores mais atentos, visto que esse mesmo narrador assume aqui o papel de editor numa casa que poderá ser muito bem, na realidade, a Alfred A. Knopf, o próprio fundador dando o seu nome à editora, também judeu, virado para a literatura de qualidade, americana e europeia. Creio que tudo isto terá alguma importância no impulso temático deste romance por entre a desconexão de uma narrativa aparentemente espartilhada por acontecimentos e situações de personagens tão diferentes, a viver, quando fora do cosmopolitismo da grande cidade, a claustrofobia de divisões sociais e do isolamento numa sociedade em mutação constante, e alienada para além das festas alcoolizadas de uma boémia imitativa de outros tempos, e da própria literatura. A prosa de Salter levou alguns a assumir que uma das suas grandes influências teria sido Ernest Hemingway, pela escrita clara e austera, assim como Henry Miller (outro judeu-americano), pela também leve sensualidade na sua escrita. Salter diria que não, e destacava dois outros autores como referências suas – André Gide e Thomas Wolfe. Não deixa de ser interessante que Wolfe, um dos mais palavrosos romancistas do modernismo americano – e que Harold Bloom diria um dia, com todo o destaque do New York Times Book Review, que ele não tinha um naco de talento literário – ser reclamado por outros escritores judeu-americanos como influência decisiva, Philip Roth incluído. Wolfe reafirmava as suas raízes sulistas em confronto com a outra América, o que pode explicar a leitura empática que alguns desses escritores de descendência judaica fariam da sua obra, eles próprios empenhados a reinventar uma América à sua imagem e filosofia de vida, a rebeldia de quem quer sair das margens e cavar fundo o seu lugar no centro. De certo modo, é isso que se retém, acima de tudo, deste romance.
Tudo o que conta é esse outra continuidade, à sua maneira e com a subtileza de um James Salter, cuja experiência existencialista vai dos campos de batalha a uma vida intelectual e literária na cidade desde sempre associada ao melhor da literatura modernista do seu país, de romances como O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, e O Sol Nasce Sempre, de Hemingway – os americanos, dentro e fora da América, a encontrar e a tirar o pulso a um mundo que lhes era quase alheio, e que as conflagrações mortíferas da Europa lhes forçara a entrar em cena, a sua arte literária espelhando ora um novo país em busca de si próprio, ora o mundo como palco alargado das suas angústias e dos seus amores e desamores. Deixo aqui sugerido outro escritor que faleceu muito novo, nos anos 80, mas que me faz lembrar esta prosa de James Salter – o contista Raymond Carver. Ambos poupam a palavra para significar o indeterminismo e a irrealidade do mundo pós-moderno – que aturamos, mas que nos aflige tremendamente.
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James Salter, Tudo o que conta (tradução de Francisco Agarez), Lisboa, Livros do Brasil, 2015. Publicado na minha coluna “BorderCrossings” do Açoriano Oriental de 27 de Novembro de 2015.
Penso na grande viagem a que me propus, sujeitando-me a um continente de grandes fortunas e de não menores usurpações, revendo uma geografia até agora, por mim conhecida apenas em filmes.
Álamo Oliveira, Contos D’América
Vamberto Freitas

Escrever sobre Álamo Oliveira e a sua obra não é nada fácil dada a sua grandeza literária e o número de livros já publicados (mais de quarenta), muitos dos quais são uma espécie de dialogismo bakthiano uns com os outros e com a própria sociedade, ou então fundamentados em histórias que ele próprio viveu, transfigurando-as em personagens que não nos leva a reconhecer a origem da sua criação. Acontece que desde há muitos anos as suas visitas e estadias nos Estados Unidos são frequentes, indo lá como escritor e encenador, ou então para conviver com a família. A verdade é que a América tornou-se-lhe incontornável por essas, e ainda outras razões. É a partir dessas suas andanças e convivências que começam a brotar de si as mais variadas histórias da nossa imigração naquele país, incluindo alusões directas e indirectas nalguns dos seus poemas. Antes de mais, este autor pertence a um grupo que cortou na literatura com os então retratos caricaturais dos que tinham saído das nossas ilhas em busca do sonho americano, esses que se limitavam a meramente transcrever o que pensavam ser os seus compatriotas vivendo e fixando-se permanentemente no grande país a ocidente, de quando em quando, muitos deles regressando à sua terra atlântica de origem com roupas naturalmente muito próprias e linguagens recortadas entre duas línguas. Foi Álamo, tal como Vasco Pereira da Costa num brilhante livro de poesia intitulado My American Friends, que em Portugal cortaram com toda essa visão supostamente cómica, devolvendo aos seus compatriotas toda a sua humanidade e direito à diferença.
Hoje nos Açores esse modo de estar e ser tornou-se comum entre nós: estilo de vestir entre os mais novos, e um discurso que, de frase em frase, mete uma palavra em inglês, a maior das vezes mal pronunciada mas fazendo do seu falador um rapaz ou rapariga que acha conhecer o mundo através de uma ou outra canção anglo-saxónica, de filmes e séries televisivas. Nem conhecem a América, e muitos historiadores queixam-se que nem sequer a história do seu próprio país. Tudo isto só para reafirmar aqui que a décima ilha existe, desde o Canadá e os EUA até no Maranhão ao extremo sul do Brasil. Cabem à arte e a outros discursos recolocar tudo no seu lugar, enriquecendo o nosso cânone literário nacional, e manifestando a seriedade dos seres humanos que optaram por vidas diferentes, economia e cultura geral, tudo que determina o modo de estarmos no mundo, e isso não implica nada com o lados cómico ou existencial de vidas reinventadas, de linguagens diferentes mas cuja mistura fazem parte do mais íntimo ser e vivência quotidiano em qualquer sociedade. Toda a literatura, em qualquer dos seus géneros, é a memória de um povo ou povos, essa que vai além de nomes e datas, guerra ou paz, que são dado vivermos. Relembro neste momento que também a escrita em inglês por imigrantes de primeira geração acontece desde há muito, e a partir dos anos noventa entre muitos dos nossos descendentes, um pouco por toda a parte, muito especialmente na América do Norte e, uma vez mais, no Brasil. Em inglês ou português, são eles que nos perpetuam ou replantam as nossas raízes noutros solos.
Em Contos D’América Álamo Oliveira dá, de certo modo, continuidade a um outro romance seu situado na Califórnia, Já não gosto de Chocolates, primeiro editado em Lisboa pela extinta Salamandra em 1999, depois reeditado pela Companhia das Ilhas (que vem republicando muita da obra de Álamo Oliveira), das Lajes do Pico, em 2017. A relevância da primeira edição não só estava assim reconhecida, como muitos anos depois viria a ser traduzida na América para o inglês, e em Tóquio para o japonês. Apresenta-nos nesse outro romance a vida de fortuna e desfortuna de uma família imigrante e de luso-descendentes liderada por um protagonista de nome Joe Sylvia, com todos os gostos e desgostos de filhos que tanto andam na linha tradicional dos pais e dos seus antepassados num de trabalho contínuo e duro na agro-pecuária na sua época dourada californiana, como divergem nas suas orientações pessoais no que diz respeito a opções divergentes que, entre outras, envolvem a sexualidade de um dos seus filhos. É uma obra que fica como marco indelével da nossa existência longe da casa natal numa das nossas ilhas, que “humaniza”, repito, ou devolve a cada personagem a complexidade que é o existencialismo de qualquer ser humano. Sendo uma visão da América vinda simultaneamente de fora e de dentro (lembrando-me outro romance que foi escrito muito perto de mim), Álamo Oliveira disse definitivamente, uma vez mais, adeus à brincadeira de outros que residiam no arquipélago e nos olhavam como seres exóticos e igualmente ignorantes sobre o quanto aconteceu nos Açores após a nossa partida. Cheguei a ouvir que “a América era agora aqui” durante os anos iniciais da ajuda financeira europeia. É certo que hoje vivemos todos numa grande arca devastada, de vida e morte que pode acontecer no dia-a-dia. Também é certo que o nivelamento parece vir por baixo para todos os países, mas desconfio. Muitos emigrariam amanhã para a América se fosse de todo possível. Só que já (no momento em que escrevo) não aceitam os nossos transatlânticos aterrar nas suas pistas, e choram do mesmo modo a Base das Lajes sem grandes números de “américas” e sem os empregos e investimentos que mudaram uma ou mais ilhas açorianas para sempre.
O próprio título Contos D’América denota de imediato (ao contrário do que seria “Contos Americanos”) que se trata de uma visão dupla do nosso destino entre os Açores e os Estados Unidos, com a acção e personagens como que entaladas entre duas realidades, uma influenciando decisivamente a outra. São onze contos que criam ou reinventam personagens nas duas sociedades. Na minha leitura permanece a ideia de que dominam as mulheres na sorte de todos, famílias e relacionamentos pessoais, questões de um povo dividido por bens e lutas nos dois lados das suas vivências. O narrador, ele próprio, vai-se surpreendendo com o desfecho de cada narrativa, ironia e humor puro presentes em cada uma das suas histórias. Estou em crer, como muitos outros leitores, que a forma do conto é uma das mais difíceis para qualquer escritor. Tem de revelar, em pouquíssimas páginas, toda uma história com princípio, meio e fim, enquanto nos transporta para o interior de cada ser por ele inventado. Retira ainda em transfiguração total “personalidades” e o seu viver tanto da imaginação pura como utiliza, suponho, pedaços de vida que ele conheceu em directo tanto nos Açores como nas suas visitas à América. Como no seu já referido romance anterior sobre o mesmo tema, o narrador olha para as duas sociedades com a frieza e o calor que as duas sociedades lhe provocam. Dos Açores, serão pouquíssimos os que emigraram como “aventura”, e a vasta maioria por necessidade económica ou financeira. A pobreza da nossa terra contrasta gritantemente com o que ele encontra na América, mas não fica por aí. Olha e vê vivamente o outro lado da sociedade que sempre mais nos atraiu: vidas falhadas, famílias desfeitas, a comédia existencial de alguns personagens que fogem ao estereótipo que temos das comunidades a oeste.
Contos D’América não é só sobre os que se foram, mas boa parte também sobre os que ficaram na pasmaceira de décadas passadas, a braços com a sobrevivência e tendo depois de partilhar as suas propriedades com os que os visitam periodicamente, e têm de dividir a pouca ou muita terra e casas de que desfrutaram na ausência longínqua das suas famílias
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Álamo Oliveira, Contos D’América, Lajes do Pico, Companhia das Ilhas, 2021. Publicado originalmente, em forma ligeiramente diferente e mais extensiva, na revista Gávea-Brown: A Bilingual Journal Of Portuguese-American Letters And Studies, Volume 43, Brown University, 2021. Publicado ontem (7 de Maio, 2021) no meu “BorderCrossings” do Açoriano Oriental.
