Nota de Leitura por José do Carmo Francisco

Luís Filipe Maçarico. – LISBOA, ASAS DE ÁGUA

Luís Filipe Maçarico (n.1952) é licenciado em Antropologia e tem um Mestrado na área mas começou a trabalhar na Câmara Municipal de Lisboa em 1978 como simples cantoneiro de limpeza. Quer isto dizer que o autor conhece como poucos as avenidas, ruas, becos, praças e travessas da cidade de Lisboa e neste 16 poemas faz aquilo que o prefácio regista: «É um livro de cidade. De uma cidade adormecida sob o limo das pedras e dos andaimes». Com prefácio de Isabel Mendes Ferreira, este livro é uma edição do Pelouro da Cultura da C.M.L. com capa e cinco desenhos de Rodrigo Dias e Pyenza/91. A viagem poética pela cidade começa na Tapada da Ajuda («Em tudo o tempo/semeou mistérios»), continua na Praça da Armada («Na tarde de eléctricos/nostálgicos/a pérola/do riso/das crianças») e no Cais das Colunas («De pálpebras ancoradas no rio/transbordante de sonhos/vi-te chegar./Com palavras macias/e uma chuva de gaivotas/no olhar»); depois passa pelo hoje Museu do Aljube («Nestas paredes/poisas o pensamento/a pedra sangra/uma caligrafia de ausências./O tempo, esse arquitecto…» e termina de modo provisório no Largo de São Tomé: «Queria ver o mar/escurecer/nos teus olhos!».  Porque pode continuar no Cacilheiro: «Gaivotas dos olhos de sal/com sonhos de papoilas e pão/tratando por tu o sol de algas/das palavras marítimas»

José do Carmo Francisco, escritor

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