
CANTAREI DEPOIS DA MORTE de RAOUL FOLLEREAU
Raoul Follerreau (1903-1977) estava destinado ao anonimato pois nasceu
numa família de industriais mas afinal toda a sua vida foi dominada por
conferências, apelos e denúncias sobre os problemas dos mais pobres dos
pobres e dos mais doentes dos doentes – os leprosos. Nas praças, nas
igrejas e nos estádios, ele dirigiu-se a todos – jovens, chefes de Estado,
Papas – ninguém ficou de fora. Desde 1918 que levantou a sua voz mas foi
em 1933 que aconteceram dois encontros decisivos da sua vida – um com
o Padre Carlos de Foucauld e outro com os leprosos de África. Casado com
Madalena Boudou desde 1925, escreveu em 1949 o livro «Bomba atómica
ou Caridade?» que vendeu seis milhões de cópias e fundou o Dia Mundial
dos Leprosos em 1954. A sua luta tornou-o conhecido em todo o Mundo.
Este livro de 65 páginas com o subtítulo de «Textos Poéticos» (Edição
APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau) abre com uma
pergunta («Se Cristo, amanhã, bater à tua porta, reconhecê-Lo-ás?»)
continua com um pedido («Senhor, nunca deixes de nos amar!») e
termina com uma certeza: «Já não passarei de pó, mas farei/crescer a erva
e desabrochar a flor./Já não passarei de pó, mas cantarei/ nos vossos
peitos./Estarei vivo na vossa alegria,/na vossa esperança divina, /no vosso
entusiasmo deslumbrante, /na vossa cólera trovejante./O meu coração
exausto/viverá na eternidade dos mundos.»
José Francisco do Carmo, escritor
