
Em resumo 38
Matei saudades do Teatro com a peça de Luís de Camões encenada por Silvina Pereira – Enfatriões – no Auditório Santa Joana Princesa. Em especial da Sala Cinzenta do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas na Rua de São José com «A excepção e a regra» de Brecht. Encenada por Rogério Vieira ao tempo actor da Cornucópia que me apresentou Luís Lucas e me tornou frequentador das estreias regulares dessa Companhia de Teatro. «Casimiro e Carolina», «Não se paga, não se paga» e «E não se pode exterminá-lo?» foram algumas delas. Mais tarde conheci Jorge Silva Melo nos Artistas Unidos ao Bairro Alto e na Faculdade de Ciências (velha) ali na Rua da Escola Politécnica. Como nunca fui aluno de nenhum Liceu nem de nenhuma Universidade (no Liceu só entrei para o lançamento do meu livro de crónicas «O passado é para sempre» e na Universidade só entrei para receber os Diplomas dos meus filhos Ana, Filipe e Marta, tendo repetido a dose com a dissertação de Mestrado do Filipe sobre o 1º Marquês de Alorna) para mim o Teatro foi uma maneira de ser autodidacta e ir à procura do tempo perdido. Vi encenações de Luzia Maria Martins no Vasco Santana, de João Mota na COMUNA, foi o Teatro que me permitiu conhecer a autora alemã Marieluise Fleisser. Devo muito do pouco que sou ao Teatro. Não esqueço que foi Jacinto Baptista que me apresentou Norberto Ávila. Nesta peça de Luís de Camões Sósea é um joguete à mercê de poderes mais altos que se divertem impondo como verdade o que é fingido. Tudo isto tem a ver com o nosso Tempo mas com uma diferença: ali os Deuses fecundam mulheres e nascem crianças; aqui carniceiros que são deuses com pés de barro matam crianças em Gaza, no Irão, no Sul do Líbano e na Cijordânia. Devo ao Teatro aquilo que Silvina Pereira define no programa da peça: «Um teatro que dialoga ao mais alto nível com a literatura, as artes plásticas, a música e a ciência. Um teatro fonte de conhecimentos…» Em resumo: saudades da Sala Cinzenta.
