
As crónicas de José do Carmo Francisco
A presença regular das crónicas José do Carmo Francisco no Correio do Ribatejo, estimula a reflexão, desenterra memorias e abre espaço para ver e olhar as grandes e pequenas surpresas da paisagem. E sempre que procede a um minucioso inventário de figuras e de acontecimentos do presente próximo ou do passado distante tem por objetivo esclarecer, contextualizar, inserir na vida o que está, inevitavelmente, sujeito a ficar ignorado e disperso.
O conjunto de textos que José do Carmo Francisco acaba de publicar, com o titulo O Passado é Para Sempre e que teve a sua génese nas páginas centenárias deste jornal , é, fundamentalmente, produto de uma travessia pelo universo dos livros e pela realidade quotidiana. Cada uma destas crónicas remete para uma história, para um lugar , para uma personalidade de relevo nacional ou projeção internacional ou, ainda, para aquelas figuras vulgares, modestas e obscuras mas , apesar do anonimato que as caracteriza , são muitas vezes motivo de exemplo.
Há mais de quatro décadas, quando José do Carmo Francisco iniciou a sua colaboração assídua do Diario Popular ( e que se multiplicou a vários outros orgãos de informação de amplitude nacional ou regional) teve o privilégio de usufruir do magistério profissional de Jacinto Batista, um dos nomes mais representativos da imprensa portuguesa da segunda metade do século XX. Incutiu- lhe o rigor das palavras, a concisão da estrutura frásica,a escrita sem artificios, a busca do essencial despojado do acessório, tudo quanto contribui para a energia e para a fluência da linguagem.
Página a página deste livro deparamos evocações de Raul Brandão, Irene Lisboa, Manuel da Fonseca, Maria Judite de Carvalho, Vitorino Nemesio , Aquilino Ribeiro, Ruy Belo e muitos outros que se evidenciaram nos dominios da prosa e da poesia . Ou, então, para o registo de cidades, de vilas,de aldeias e de sítios , quer do interior, quer do litoral, onde muito do que surpreendeu e do que interrogou, chega até nós com a irradiação da memoria partilhada.
António Valdemar
14 Maio de 2026
