Memória Partilhada por António Valdemar

As crónicas de José do Carmo Francisco

A presença regular das crónicas  José do Carmo Francisco  no Correio do Ribatejo, estimula a reflexão, desenterra memorias  e abre espaço para ver e olhar as grandes e pequenas surpresas da paisagem. E sempre que  procede a um minucioso inventário de figuras e de acontecimentos do presente próximo ou do passado distante tem por objetivo esclarecer, contextualizar,  inserir na vida o que está, inevitavelmente,  sujeito a ficar ignorado e disperso.

O conjunto de textos que José do Carmo Francisco acaba de publicar, com o titulo O Passado é Para Sempre  e que teve a sua génese nas páginas centenárias  deste jornal , é, fundamentalmente, produto de uma travessia pelo universo dos livros e pela  realidade quotidiana. Cada uma destas crónicas  remete para  uma história, para um lugar , para uma personalidade de relevo nacional ou projeção internacional  ou, ainda, para aquelas figuras  vulgares, modestas e obscuras mas , apesar do anonimato que as caracteriza , são muitas vezes  motivo  de exemplo.

Há mais de quatro décadas,  quando José do Carmo Francisco iniciou a sua colaboração assídua do Diario Popular ( e que se multiplicou a vários outros orgãos de informação de amplitude nacional ou regional) teve o privilégio de usufruir do magistério profissional de Jacinto Batista, um dos nomes mais representativos da imprensa portuguesa da segunda metade do século XX. Incutiu- lhe o rigor das palavras, a concisão da estrutura frásica,a escrita sem artificios, a busca do essencial despojado do acessório, tudo quanto contribui para a energia e para a fluência da linguagem.

Página a página deste livro deparamos evocações de  Raul Brandão, Irene Lisboa, Manuel da Fonseca, Maria Judite de Carvalho, Vitorino Nemesio , Aquilino Ribeiro, Ruy Belo e muitos outros que se evidenciaram nos dominios da prosa e da  poesia . Ou, então, para o registo de  cidades, de  vilas,de aldeias e de sítios , quer do interior, quer do litoral, onde  muito do que surpreendeu e do que interrogou, chega até nós com a irradiação da  memoria partilhada.  

António Valdemar

14 Maio de 2026

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