
Canção breve para Angelina
Numa secreta oficina
Que a quadra produz
Fica o olhar de Angelina
Para nascer a outra luz.
Com o Tejo ali tão perto
Nas placas do nevoeiro
Mar da Palha é mar aberto
À espera dum cacilheiro.
Canção breve nº 2 para Angelina
Se desce a Rua das Flores
Sem reparar nas esquinas
Os navios e os motores
Calam pregões de varinas.
Por factores e por razões
O pão nosso de cada dia
Na Praça Luís de Camões
Seu balcão é uma liturgia.
José do Carmo Francisco, poeta
