Cânticos do Mesmo Sal: A poesia de José do Carmo Francisco

Canção breve para Angelina


Numa secreta oficina
Que a quadra produz
Fica o olhar de Angelina
Para nascer a outra luz.
Com o Tejo ali tão perto
Nas placas do nevoeiro
Mar da Palha é mar aberto
À espera dum cacilheiro.

Canção breve nº 2 para Angelina


Se desce a Rua das Flores
Sem reparar nas esquinas
Os navios e os motores
Calam pregões de varinas.
Por factores e por razões
O pão nosso de cada dia
Na Praça Luís de Camões
Seu balcão é uma liturgia.


José do Carmo Francisco, poeta

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