VAMOS DEFENDER A DEMOCRACIA por JORGE BETTENCOURT

Há quem diga que a democracia é como o ar que respiramos: só damos pela falta dele quando rareia ou se torna tóxico. Em Portugal, após décadas de estabilidade democrática que tanto custou conquistar, os ventos globais e nacionais trazem um aviso claro — nada está garantido para sempre.

Vivemos um tempo em que a democracia é uma escolha diária. O legado do 25 de Abril, que nos devolveu a liberdade e a dignidade, enfrenta hoje múltiplas ameaças, como a polarização, o populismo ou as fragilidades das instituições que deveriam ser o pilar dos direitos e garantias de todos.

A confiança nas instituições diminui com a percepção das injustiças e um debate público fragmentado e emocional, dominado pelos discursos extremistas das redes sociais. Por outro lado, os partidos políticos afastam-se dos seus princípios e os líderes apostam mais no impacto imediato do que na construção de soluções robustas para os problemas das pessoas. E o perigo, como nos ensina a História, é quando o medo e o ódio pelo outro ditam as regras, afastando-nos do bem comum.

Mas não temos de aceitar o caminho da resignação. O futuro da nossa democracia depende da capacidade de cada um, cidadão comum ou responsável político, escolher a esperança em vez da descrença, a generosidade em vez da exclusão, a justiça em vez da indiferença. O desafio está em reformar as instituições, sim, mas também em humanizar o debate público.

A democracia portuguesa só sobreviverá se voltarmos a acreditar na força dos valores que inspiraram o 25 de Abril; se não deixarmos a política à mercê de populismos ou divisões e, de mãos dadas, exigirmos transparência, participação e respeito pelos valores que nos transformaram num país livre.

Que cada um de nós seja protagonista com coragem e ética, para que a esperança, a generosidade e a justiça continuem o Portugal de Abril.

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