Balada da Rua de Baixo por José do Carmo Francisco


Rua de Baixo, meu mundo
Onde eu regresso cansado
Quando o olhar é profundo
Já andou por todo o lado


São casas sem ninguém
De famílias desligadas
Não se ouve a voz da mãe
Na névoa das madrugadas


Meu berço e minha escola
Minha casa e minha igreja
O amor não pede esmola
Nas esquinas da inveja


Minha paisagem saudosa
Povoada por destroços
Duma sede mais gasosa
Que a água destes poços


Filarmónica formada
Manhã cheia de brancura
Há festa não tarda nada
Na rua desta amargura


Sete ondas repetidas
São sete beijos do mar
Na areia das nossas vidas
Já só podemos cantar


Pode-se cantar um fado
Feito só de melodia
Um homem fica calado
Ao ver a fotografia


Minha rua inicial
A vida, anos primeiros
Onde passou triunfal
A paixão dos baleeiros


José do Carmo Francisco, poeta

Leave a comment