
Com organização de Carlos Lobão (n.1959) e Urbano Bettencourt (n.1949), este livro de 494 páginas de texto e vário apêndices como o índice onomástico e toponímico além do índice analítico e uma listagem de personalidades e instituições referidas em 128 crónicas é uma edição é do Núcleo Cultural da Horta, a capa é de Tomás Melo a produção gráfica é de Vasco Rosa e a colaboração é de Marcelino Lima. Manuel Zerbone (1855-1905) usou vários pseudónimos (Pablo, Justus, Delfim, Rodolfo e Zigue) e fez parte de um notável friso de jornalistas e escritores faialenses como Manuel Joaquim Dias, José Garcia do Amaral, Manuel Garcia Monteiro, Rodrigo Guerra e Florêncio Terra – com quem escreveu em parceria o romance «A vingança da Noviça». Estas crónicas referem a toponímia da Horta (Alameda da Glória, Fonte dos Namorados, Largo do Neptuno, Largo da Matriz, Largo do Relógio, Palacete de Sant´Ana, Jardim Público, Rua do Cano, Poço da Carrasca, Rua Capelo e Ivens, Rua Velha), os Jornais (A Pátria, O Açoriano, O Democrata, O Fayalense) , navios (Hirondelle, Isére, Paladin) e várias Instituições como Colégio Maria Pia, Cristo & Irmãos, Grémio Literário Faialense, Nova Artista Flamenguense, Sociedade Amor da Pátria,Teatro União Faialense, Unânime Praiense, Festa Religiosa de Nossa Senhora da Guia, São Pedro e o Voto da Câmara de 1718. Este livro prova que o Jornalista é o Historiador do quotidiano. Antecipando o modo e à maneira de Irene Lisboa em «Adelina» (anos 40 do século XX) a «Raivinha» de Manuel Zerbone dá um completo Raio X da condição humana, no tempo e no espaço: «Em casa teve os desmazelos da mãe, as continuadas bebedeiras do pai que a maltratava com pancadas e frases grosseiras, na rua, dia e noite, camaradagem pulha das mendigas e as chalaças ouvidas e estudadas a todo o instante». Um livro oportuno, justo e necessário.
José do Carmo Francisco, escritor
