Cânticos do Mesmo Sal: a poesia de José do Carmo Francisco

Canção breve para Isabel


Vem o cravo de papel
Dum arraial popular
Mas é na voz de Isabel
Que começa o cantar.
Na pequena romaria
Na capela pequenina
Há uma luz noite e dia
Acesa na lamparina.

Canção breve para António Nobre


Quem me dera ser o Pardal
O Zé da Clara, o Remelgado
A palavra passou um sinal
Vai comigo a todo o lado.
Estou numa lancha poveira
Com seu erro de ortografia
Tenho uma vida verdadeira
«Só» neste livro de Poesia.

Canção breve para Cristiano Ronaldo


Um país pequeno e pobre
País mínimo e mesquinho
Com vontade de ser nobre
E grande inveja do vizinho.
Um analfabeto militante
Que só olha a televisão
A razão fica tão distante
E a morte não tem razão.

Canção breve para Salvatore Quasímodo 1901-1968


Por mais diversas razões
Nesta palavra traduzida
Graças a Manuel Simões
Ganha uma nova vida.
O mistério da Poesia
Numa oficina mental
Fica a tua antologia
Entre Itália e Portugal.


José do Carmo Francisco, poeta

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