
O MARQUÊS DE POMBAL de Joaquim Veríssimo Serrão
Com o subtítulo de «O homem, o diplomata e o estadista», este livro de Joaquim Veríssimo Serrão (1925-2020) teve o apoio de três Câmaras Municipais – Lisboa, Oeiras e Pombal. As Feiras do Livro mostram não só novidades mas também surpresas. Este livro foi uma delas neste ano de 2026 no Pavilhão da Câmara Municipal de Lisboa – entre livros novos e menos novos, este revelou-se com muito interesse. Ainda hoje se discute a vida e a obra do Marquês de Pombal (1699-1782): uns querem vê-lo como «tirano brutal» enquanto outros o consideram «governante excepcional». Este livro, publicado em 1982 e reeditado em 1987, produzido com assistência técnica de Alfredo Theodoro, tem 204 páginas e organiza-se em treze capítulos que vão da ascendência e formação do futuro Marquês até ao exílio e à morte, passando pelas missões diplomáticas em Londres e em Viena de Áustria, pelo terramoto de 1755 em Lisboa, pelas relações com a Santa Sé sem esquecer o «caso» da família Távora que, tal como a Companhia de Jesus, constituiu um dos pontos marcantes da sua actuação como ministro de D. José I. O autor resume na página 188 a sua ideia sobre a vida e a obra do Marquês de Pombal: «Pombal foi um produto do tempo histórico que antecede o liberalismo, não se lhe podendo exigir o mesmo comportamento de quem, meio século depois, tivesse jurado os direitos do homem e do cidadão. No seu ideário o indivíduo apagava-se perante o Estado (…) e ver ainda hoje a sua pessoa e obra à luz do humanitarismo liberal é ignorar os quadros de pensamento em que o seu espírito se formou e moveu». Além do índice geral, o volume apresenta um índice de topónimo, outro de antropónimos e ainda um terceiro de autores citados. Uma bela surpresa.
Jose do Carmo Francisco, escritor
