
Tomé Pinheiro da Veiga – FASTIGÍNIA
Com edição, estudos, variantes e notas de Ernesto Rodrigues (n.1956), este livro de 752 páginas (Edição Letras Lavadas, capa Museu Diocesano de Valladolid) é o resultado de um trabalho de investigação que Ernesto Rodrigues dedicou desde 1988 à obra de Tomé Pinheiro da Veiga (1566-1656) – «mais de meia vida» nas palavras do próprio que completa a frase de modo esclarecedor: «foi um prazer». Este trabalho é uma segunda edição, revista e aumentada, da edição de 2011 que, por sua vez, celebrava o centenário da edição de Sampaio Bruno ainda com o título de «Fastigímia». Esta edição actual parte de 17 manuscritos – 13 em Portugal e os outros em Madrid, Paris, Londres e Bloomington (Indiana – EUA). Para Hernâni Cidade «Tomé Pinheiro da Veiga deve ser considerado como um dos maiores escritores do seu tempo» e para Graça Almeida Rodrigues este livro integra com outros (Arte de Furtar, Apólogos Dialogais, Os Ratos da Inquisição e Obras do Diabinho da Mão Furada) «uma literatura não conformista que apresenta uma crítica à administração e aos costumes da época». Tomé Pinheiro da Veiga começa por uma advertência («Estas são as duas jóias que fazem Valladolid sem preço: muita liberdade e nenhuma inveja») e noutro ponto adverte o autor do livro: «Não vos ofereço, aqui, história senão retrato nem comédia aprazível senão pintura natural». São muitos os assuntos destes «retratos» em forma de carta ou crónica: o nascimento do rei espanhol em 1605, a religião, a política, a economia, a sociedade, os jogos, as festas, o lazer, o luxo, a ostentação, a gastronomia, as artes e as letras. Num país pequeno e pobre como o nosso onde quase tudo é mínimo e mesquinho é uma alegria saudar um livro grande que é, ao mesmo tempo, um grande livro. JCF
