
Em resumo 49
Comecemos a crónica pela cronologia: em 12-7-66 a selecção de futebol do Brasil jogou com a da Bulgária e Vutsov arrumou Pelé com uma forte pancada . Por essa razão ele não jogou no dia 15-7-66 contra a equipa da Hungria sendo substituído por Tostão que até marcou um golo mas não evitou a derrota por 3-1. No dia 19-7-66, jogando contra a equipa de Portugal, o treinador Vicente Feola jogou o tudo por tudo e perdeu. Do onze anterior só ficaram dois – Lima e Jairzinho. Os nove que entraram na equipa foram: Manga, Fidélis, Brito, Orlando, Rildo, Denilson, Silva, Pelé e Paraná. O jornalista Orlando Duarte escreve no seu livro «Todas as Copas do Mundo» que Pelé foi poupado em 15-7-66 quando na verdade ele estava lesionado depois da pancadaria do jogo com a Bulgária em 12-7-66. Em tempos li numa revista brasileira que «Pelé foi cassado» no jogo com Portugal mas na verdade a entrada do defesa Morais em 19-7-66 apenas veio confirmar a lesão de 12-7-66 no jogo com a Bulgária. Já agora por curiosidade o nome dos nove jogadores que saíram da equipa entre 15 e 19-7-66: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo Henrique, Gerson, Garrincha, Alcindo e Tostão. Há uma novela de Vitorino Nemésio (1901-1978) onde se confunde cassar com caçar quando ela refere uma ida a um notário para cassar uma procuração. Trata-se de um erro mas há a desculpa de as palavras serem homófonas. Tantos anos depois de 1966 (sessenta anos…) acabo de ouvir no Facebook a repetição da palermice, a mesma banha da cobra. Em resumo: a mesma demagogia.
José do Carmo Francisco, escritor
