Pereira não é Fonseca por José do Carmo Francisco

Em resumo 34

Conheci o jornalista Abel Pereira (1925-1985) como director do semanário «O Ponto» e como chefe de redacção do «Diário Popular». Apesar de o nosso convívio se ter limitado a sete anos (1978-1985) no «Diário Popular» tenho dele algumas histórias; umas vividas e outras herdadas de tanto as ouvir contar. É famosa a frase de Abel Pereira quando a edição de um certo dia do «Diário Popular» se atrasava por acção negativa da Censura do Estado Novo (mais tarde Exame Prévio) e se havia um grande reboliço entre a Redacção e a Tipografia: «Por este andar ainda perdemos os comboios e até podemos perder os eléctricos!». Ora acontece que um destes dias li num livro («Portugal Contemporâneo») que passa em revista o tempo português (político, económico, cultural) entre 1820 e 2000, uma referência aos jornalistas dos anos sessenta na qual, como não podia deixar de ser, o seu nome e o seu trabalho no «Diário Popular» aparecem com o devido destaque. Mas por infelicidade de quem escreveu e de quem deveria ter notado o erro crasso, o nome de Abel Pereira aparece como Abel Fonseca. Desde logo se percebe que não há nenhum jornalista com esse nome e a única hipótese de explicação é que juntando os dois nomes ficará Abel Pereira da Fonseca. Mas isso tem apenas a ver com um armazém de vinhos, aguardentes e derivados ali para o Poço do Bispo. Encurtando razões – em resumo: Pereira não é Fonseca.

José do Carmo Francisco, escritor   

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