
Ludgero Mendes coordenação CELESTINO GRAÇA
O título deste livro de 113 páginas («O Homem que disse NÂO à mediocridade») faz lembrar uma das histórias que circulam em Santarém sobre a maneira discreta mas firme como Celestino Graça (1914-1975) respondeu a um agente da PIDE quando o Grupo Académico de Danças Ribatejanas fundado em 1956 e editor deste livro com apoio da Câmara Municipal de Santarém terminou a sua actuação com o «fadinho do pobre» tendo como solista Ivone Faria da Silva: «Quem é pobre sempre é pobre/Quem é pobre nada tem/Quem é rico sempre é nobre/E às vezes não é ninguém». Quando o homem da PIDE disse «Essa é poribida. Não podem cantar!» Celestino Graça respondeu: «Isto já acabou. Eles vão-se desfardar e tu vai também à tua vida!». A censura é sempre uma forma de mediocridade. Basta pensar nos E.U.A. nos anos 50 do século XX e na sua Comissão de Actividades Antiamericanas que integrava vários senadores. Perseguiram entre outros o cineasta Charles Chaplin mas hoje ninguém sabe o nome desses senadores ao passo que Charles Chaplin está na História do Cinema. Sessenta anos depois do caso do «fadinho do pobre» a memória não se perdeu e continua viva até hoje. Celestino Graça tinha e continua a ter razão. O livro é coordenado por Ludgero Mendes e tem textos de António Cacho, Francisco Morgado, Grimoaldo Alhandra Duarte, João Gomes Moreira e José Júlio Rosa Eloy. As 71 fotografias do volume tornam este a fotobiografia dum Homem e dum Tempo.
José do Carmo Francisco, escritor
