Nota de Leitura por José do Carmo Francisco

DOMINGOS LOBO nova edição

OS NAVIOS NEGREIROS NÃO SOBEM O CUANDO Vencedor do Prémio Literário Cidade de Torres Vedras em 1993 e dedicado aos seus camaradas da Companhia de Caçadores 1779, este livro de Domingos Lobo (n.1946) tem dois prefácios (Coronel Vítor Alves e Sérgio de Sousa) além de anotações nas duas badanas de Eduardo Pitta, Júlio Conrado, Fernando Dacosta, Sérgio de Sousa, Rui Herbon, Paulo Alexandre Pereira, Miguel Real e Rui de Azevedo Teixeira. Domingos Lobo é autor de obras de ficção, poesia, teatro, ensaio e crítica. Tem colaboração nos seguintes jornais e revistas: VÉRTICE, SEARA NOVA, AS ARTES ENTRE AS LETRAS, FOLHA DE S. PAULO, A VOZ DO OPERÁRIO, GAZETA LITERÁRIA, AVANTE!, O ESCRITOR e NOVA SÍINTESE. O livro de 172 páginas é uma edição da MODOCROMIA EDIÇÕES, tem desenho gráfico de Dinis Lourenço e produção editorial de Maria Esther. Onze poemas do autor integram a narrativa. Há números que apontam para 6.340 mortos e 112.205 feridos portugueses na Guerra Colonial (dos nacionalistas não há números) o que pode ser lido como mais negativo do que as forças americanas no Vietname em termos de percentagem. Em vez de números e estatísticas, este livro traz até nós palavras com lágrimas e sangue pisado. Fiquemos com um excerto da última página deste livro sobre o qual de deve dizer «quem leu, leu; quem não leu não sabe o que perdeu: «Atraca o navio aos bordos da pedra. Agitam-se no cais lenços, lágrimas e braços, muitos braços na confusão dos gritos. Só esta chuva morrinhenta não pára.»

José do Carmo Francisco, escritor

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