Nota de Leitura por José do Carmo Francisco

O IMPOSSÍVEL DEMORA MAIS de Paulo Godinho

O título deste livro de Paula Godinho (n.1960) está na página 327 (o volume tem 362) e abre com uma citação de Vladimir Maiakovski (1893-1930). Vejamos: «Impossível Sozinho não posso/carregar um piano/e menos ainda um cofre-forte». Para quem possa considerar tudo isto como algo insólito (Poesia – Antropologia) basta pensar em Eduardo Guerra Carneiro e no seu livro de poemas de 1970 – «Isto anda tudo ligado». Dedicado «às gerações passadas e futuras de luta pela terra e pela Terra» e com o subtítulo de «Antropologia para o futuro, correntes frias da realidade e correntes quentes da esperança», o livro organiza-se em quatro blocos de texto: Temos pressa, Inventário do irrecuperável? O frio da história contra o final dos tempos, Além do cálculo de probabilidades: dilatar o campo dos possíveis entre os sem-terra do Ceará e Meia dúzia de notas muito soltas. O prefácio é de Adelaide Gonçalves e Lourdes Vicente, o posfácio é de Raúl H. Contreras Román, a revisão é de Pedro Cerejo, a capa é de Ágata Ventura e a edição é da Livraria Tigre de Papel. Um conjunto de 19 fotografias de Lucas Assis e Paula Godinho completam o conjunto. Escreve a autora na página 33: «Este livro é o resultado de  modos diversos de cooperação, um colectivo que porfia na esperança e une vontades, ao perto e ao longe».

José do Carmo Francisco, escritor

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