
Raul Brandão A FARSA
Este livro foi publicado em 1903 pela Livraria – Editora Ferreira & Oliveira e agora é editado de novo em fac-simile pela Editora “A Bela e o Monstro” e por essa razão a palavra farsa aparece com uma cedilha como era uso no tempo – início do século XX. Dedicado ao grande poeta Guerra Junqueiro, este livro é também – e ao mesmo tempo – a história terrível de uma velha (a Candidinha), cheia de tragédia, desprezada pelo marido, gulosa, sempre a pensar em lambarices e no café que gostava de tomar muito forte e muito doce. Num dos diálogos deste livro alguém diz à protagonista: «Agora já não há Deus nem há nada. Agora é cada um por si». Raul Brandão (1867-1930) é conhecido e reconhecido como autor de três obras maiores da nossa literatura: «Húmus» (1917), «Os Pescadores» (1923) e «As Ilhas Desconhecidas» (1927). Este é um dos mais belos livros escritos sobre os Açores. Com a morte de António Nobre (1867-1900) em cujo funeral estiveram presentes apenas seis dos seus amigos, Raul Brandão escreveu: «Em Portugal ser diferente dos outros já é uma desgraça mas ser superior aos outros é uma desgraça muito maior». Fica o essencial para sugerir a descoberta de um grande autor da nossa literatura.
José do Carmo Francisco,escritor
