
Conheço o Álamo Oliveira há muitos, muitos anos. Guardo com carinho memórias preciosas de momentos partilhados com ele — não apenas nos Açores, mas também no Canadá. Foi a partir desses encontros e diálogos que aprendi a reconhecer a integridade com que encara a sua arte e o seu papel como agente cultural das nossas ilhas.
Álamo impõe-se como uma figura singular nas letras açorianas — a sua voz está inequivocamente enraizada na paisagem cultural da ilha Terceira, mas ressoa pelas ilhas ―lá, cá e além― cruzando geografias e temporalidades. Dramaturgo, ensaísta, poeta e defensor incansável da cultura, Álamo Oliveira tem sido, ao longo das décadas, um dos mais firmes porta-vozes da identidade açoriana. A sua obra explora as complexidades da insularidade — termo que, na sua escrita, adquire o peso de metáfora para a marginalidade, a memória e a resistência. Nas suas peças, a ilha é simultaneamente palco e personagem, espaço de tensão entre tradição e modernidade, fé e dúvida, pertença e diáspora. A linguagem que constrói está impregnada de oralidade, de ritual e de uma ressonância simbólica notável.
Álamo não exotiza os Açores; devolve-os a si próprios, filtrados por uma consciência crítica e por uma estética rigorosa.
Para além da sua produção literária, Álamo tem deixado uma marca ao nível institucional. O seu compromisso com as artes está intimamente ligado ao seu compromisso cívico: com ele, vê-se a cultura como uma força de diálogo, de emancipação e de reconhecimento histórico.
É sempre um prazer estar com o Álamo. A sua presença — tal como a sua obra — recorda-me que as vozes insulares importam, não como ecos periféricos, mas como articulações essenciais de quem somos e do que podemos vir a ser.
Parabéns, Álamo pelo teu aniversário. CELEBRA!
Obrigada, amigo, por tudo o que tenho aprendido contigo — e, quem sabe? Talvez nem o saibas!
Irene Maria F. Blayer
Professora catedrática
Brock University- Canadá

