
O que une as visões que apresenta neste trabalho, apesar do que eventualmente as separará, por serem de diversas proveniências políticas?
Em 48 anos de governo próprio no quadro da autonomia política, a governação regional encontra-se exatamente repartida por 24 anos de liderança social democrata e 24 anos de liderança socialista. Haverá, portanto, perspetivas naturalmente diferentes sobre as opções estratégicas do desenvolvimento dos Açores, mas há, sobretudo, um consenso político que reconhece e reafirma as virtualidades da Autonomia como solução adequada para as especificidades da Região.
Os protagonistas políticos cruzam aqui as memórias pessoais com as conquistas coletivas, num exercício conjunto que muito enriquece o património identitário do regime autonómico. Fala-se do passado e do presente, mas também de um futuro aperfeiçoamento que se impõe na arquitetura constitucional e no quadro competencial de uma Autonomia democrática que se abeira, também ela, da sua celebração cinquentenária. Fica a ideia de que a Autonomia dos Açores não foi uma dádiva, foi uma conquista, e de que nunca está garantida, tem que ser sempre defendida. Vale a pena ler.
O lançamento do seu novo livro,50 ANOS DE ABRIL | Democracia & Autonomia, ocorrereu nos dias 24 (Angra do Heroísmo), hoje, dia 29 (Horta) e 30 de abril (Ponta Delgada). O que contém esta obra?
Este livro comemora os 50 anos da democracia portuguesa na perspetiva da autonomia açoriana. Para isso, ele reúne, pela primeira vez, os testemunhos pessoais de todos os sucessivos presidentes do Governo Regional (João Bosco Mota Amaral, Alberto Romão Madruga da Costa, Carlos César, Vasco Cordeiro e José Manuel Bolieiro) e da Assembleia Legislativa (Álvaro Monjardino, José Reis Leite, Humberto Melo, Dionísio Sousa, Fernando Menezes, Francisco Coelho, Ana Luísa Luís e Luís Garcia) da Região Autónoma dos Açores.
Portanto, o grande mérito deste livro é, desde logo e acima de tudo, dos 13 presidentes da Autonomia Política que lideraram os órgãos de governo próprio da Região nas cinco décadas do regime democrático. E, para melhor enquadrar os depoimentos açorianos desses líderes autonómicos do pós-25 de abril, ele encerra com uma Cronologia Açoriana da Democracia Portuguesa, destacando 80 datas de 1974 a 2024, que recorda e regista figuras e factos da Autonomia Constitucional.
O seu lançamento ocorrerá no âmbito das comemorações regionais do cinquentenário da revolução nacional, nas três cidades históricas dos Açores, e, neste caso, a Terceira é a primeira. A primeira apresentação teve lugar na Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, em Angra do Heroísmo, pelas 18 horas do dia 24 de abril, com uma troca de impressões sobre meio século de democracia e autonomia entre três antigos presidentes do parlamento açoriano, José Reis Leite, Dionísio Sousa e Francisco Coelho, moderada pelo jornalista Armando Mendes.
A que públicos se destina esta sua nova obra e quem tirará dela mais proveito?
Este livro destina-se a todos os públicos, porque a Autonomia é transversal e intergeracional, mas é especialmente dedicado às novas gerações da sociedade açoriana, para que ganhem consciência do percurso feito e, portanto, do caminho a seguir.
Para os açorianos, a Autonomia é outro nome de 25 de Abril?
Sim. A democracia portuguesa de 1974 foi uma das principais causas da autonomia açoriana de 1976 e esta é uma das melhores consequências daquela. Por isso mesmo, a comemoração dos 50 anos do 25 de abril de 1974 é a melhor maneira de iniciar as comemorações do cinquentenário do 2 de abril de 1976, com a consagração da Região Autónoma dos Açores na Constituição da República Portuguesa.
Entrevista originalmente publicada no Diário Insular de Angra, José Lourenço-director

