Uma coisa preciosa, um exemplo fino por José do Carmo Francisco

Em resumo – 21

Um destes dias, entre bátegas de chuva e frio polar, um grande amigo meu que é Director de um Museu, ofereceu-me um livro de 1972 (o preço era seis libras) escrito pelos jornalistas Harold Hobson, Phillip Knithtley e Leonard Russel com o título de «The Pearl of Days» e o subtítulo de «An intimate memoir of The Sunday Times 1822-1972». Nas suas 506 páginas o livro conta a história deste jornal inglês em seis capítulos e abre com um prefácio de 22 páginas cujo título («Standfirst») remete para vários significados como »precede» ou «blurbe» que os bons dicionários ingleses como o The Concise Oxfors Dictionary de 1976 indicam como «brief description of book». Tudo isto tem a ver com jornais ou jornalistas e recordo Jacinto Baptista (1926-1993) que no «Diário Popular» me lembrava em 1978 uma particularidade de Alexandre O´Neill (1924-1986) que nunca escrevia nada sem estar rodeado de uma grande bateria de dicionários. Para navegar no mundo das palavras um bom dicionário para o jornalista é como uma carta de marear para um piloto. Neste caso a palavra «precede» até tem parecenças com o nosso «precede» no sentido de o que vai à frente. Um aspecto curioso desta crónica é ser a primeira que escrevo (o grande Camilo diria cometo) depois de chegar aos 75 anos que é a exacta metade do tempo deste jornal inglês neste licro – 150 anos. Um dia lá pelo idos de 1967 ouvi um funcionário do Banco Português do Atlântico na Rua do Ouro, homem de muitos anos de trabalho repartidos entre Portugal, Bélgica e Marrocos, que dizia para isto um colega (Morais de seu nome) «Meu Caro quem conhece os avós e os netos não se pode queixar da vida».

José do Carmo Francisco, escritor

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