Cânticos do Mesmo Sal: Poemas de José do Carmo Francisco

Canção breve da Vila de Santa Catarina


Onde hoje é uma Avenida
Foi outrora um cemitério
Nas voltas que dá a vida
Só a memória é caso sério.
Um cortejo de meninas
Levou Vida a outro lado
Eram caixas pequeninas
Com os ossos do passado.

Canção breve para o regresso dos «Sinais»


Somos filhos da Gazeta
Mil, seis, quarenta e um
Somos a fala concreta
Duma História comum.
No regresso dos «Sinais»
À manhã de todos nós
Não há ali dois iguais
O comum é só a voz.

Canção breve dos cinco zero


Foi uma força do Destino
Do Céu veio tempestade
Houve sopas do Divino
No relvado de Alvalade.
Depois de tantas trapaças
Golos marcados com a mão
Já cheira a Taça das Taças
E a Morte não tem razão.

José do Carmo Francisco, poeta

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