
As palavras e a Lyra De Manuel Barata
Manuel Barata (n.1952) estreou-se em livro com «Quadras quase populares» no ano de 2003.Esta seu recente livro de 77 páginas (editora Espaço Ulmeiro) organiza-se em quatro secções: Viagens em fragmentos, Cantares em quadras, Antiguidade revisitada e Outros poemas. O ponto de partida é a casa do poeta. «O meu dia só começa/já de pé a olhar o Tejo/os pássaros e as árvores». Mas o seu lugar de origem é outro: «É a Beira mais agreste/-a dos carvalhos e granitos -/aquela que me seduz/aquela que me interpela». O tempo do poeta está ligado ao tempo da Pátria: «De nada me queixo/Já nem desta pátria/tão iníqua me queixo». Há nestes poemas muitas viagens: Lisboa, Mata, Castelo Branco, Santa Iria, Lardosa, Cádis, Tavira. Na memória da Antiguidade cabem figuras como Helena, Calipso, Cassandra, Penélope, Telémaco, Eneias e Ulisses. O livro termina com uma pergunta: «Que nos dirá o desconhecido futuro/destes dias amargos/de sofrimentos mil e das horrorosas mortes/que ocorrem no presente?» o poeta é leitor de poetas; nestas páginas surgem também memórias de autores como Cesário Verde, Carlos de Oliveira, Olavo Bilac, Luis Filipe Castro Mendes e Jorge Luís Borges.
José do Carmo Francisco, escritor
