Cânticos do Mesmo Sal: A poesia de José do Carmo Francisco

Canção breve da fotógrafa da casa


Já foi o da Patriarcal
No tempo de D.João V
Hoje é Príncipe Real
Outrora foi o labirinto.
Passa o ano, certos dias
Há festa com as crianças
Quem tira as fotografias
É uma índia com tranças.

Canção breve para Bruna in memoriam


Sendo eu um trovador
A minha voz não sou eu
Há aqui o estranho factor
Em tudo o que aconteceu.
Foi um mistério criado
Uma canção foi erguida
Lágrimas e sangue pisado
No sem-sentido da Vida.

Canção breve do saco de pano


D. Quixote e Sancho Pança
Vão de burro e a cavalo
Esta nativa da Balança
É paixão sem intervalo.
Num saco da livraria
Cheio de livros antigos
À esquina de cada dia
Chegam novos amigos.

José do Carmos Francisco, poeta

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