
Os 32 contos que integram este livro foram publicados entre 1969 e 1971 no jornal «Diário Popular» e foram resgatados do esquecimento graças ao trabalho de três agentes culturais: Álvaro Matos, Francisco Dias Brito e Artur da Fonseca. A edição é da CAMINHO, a capa de Armando Alves e o prefácio de Urbano Tavares Rodrigues. No conto «Rosarinho» se pode ler uma referência ao tipo de escrita que o autor pratica e subscreve: «Um tipo que escreve livros. Lembranças de antigamente. De um tempo em que íamos uns tantos rapazitos e rapariguinhas da vizinhança, brincar para o quintal de senhor Norberto Pedroso. Não sei se vocês o conheceram. Morreu novo. Pois é…». O título do livro está na página 16 no conto «Enredos confusos»: «Houve um prolongado silêncio em redor da lareira dos fundos da casa onde o Retorta tem o café». Sobre a importância de Manuel da Fonseca (1911-1993) na literatura portuguesa do século XX bastam quatro títulos: «Seara de Vento», «O fogo e as cinzas», «Rosa dos ventos» e «Cerromaior». A lareira está muito presente na vida do alentejano pois ali o Inverno não é para brincadeiras.
José do Carmo Francisco, escritor
