
Em Resumo 20
Na época desportiva de 1998/1999 a equipa «A» do Sporting Clube de Portugal estagiou nas Caldas da Rainha. O treinador Mirko Jozic escolheu a cidade devido à amenidade do clima. Durante um jogo-treino com a equipa do Caldas calhou ao adjunto Venâncio apitar o jogo. Eu estava no banco dos suplentes; por isso pude ouvir o defesa direito Quim Berto chamar ao árbitro desse jogo Veiga Trigo. Podia ter sido Rosa Santos, Raul Ribeiro ou Carlos Calheiros. Esses eram nomes que estavam na berlinda naquela época de golpe de estádio. Quem dominava o futebol português eram figuras como Paulinho Santos, o guarda Abel, Reinaldo Teles ou Pinto da Costa. Foi um tempo tenebroso em que dirigentes nortenhos festejavam as eleições na Federação Portuguesa de Futebol quando o Conselho de Arbitragem era mais importante do que a Direcção ou a Mesa da Assembleia Geral. Ficou famosa a frase «Demos um chito à gajada de Lisboa». Passado pouco tempo desse jogo particular fui a Alverca para um Alverca-Sporting . No final um dirigente do clube visitado quis impedir-me de modo brutal de entrar na Sala de Imprensa, deixou-me uma nódoa negra no braço esquerdo e quem me salvou foi o adjunto Venâncio. Quando lhe falei no jogo das Caldas por si arbitrado, respondeu: «Isso nunca mais». De facto apitar um jogo mesmo particular não é fácil porque o árbitro é sempre influente e muitas vezes é decisivo. Que o diga o príncipe Alberto do Mónaco quando numa final europeia Alenichev marcou um golo precedido de falta. «Já fomos!» foi o que se percebeu da linguagem gestual do príncipe. Em resumo, como dizia Venâncio «Isso nunca mais».
José do Carmo Francisco, escritor
