
Considerado um dos poemas perfeitos da língua inglesa na Índia, tornou-se um dos poemas mais populares de Naidu e aquele que lhe trouxe aclamação internacional pelo elogio crítico e acadêmico unânime.
Incluído nos currículos acadêmicos dos conselhos de educação da Índia, e em algumas universidades da Europa que ensinam o poema no programa de literatura inglesa.
Em 1913, o The New York Times resenhou o poema:
“Para nós, de um clima mais frio e sóbrio, o simples nome desta cantora da ‘terra mais antiga’ evoca uma sugestão de cor e perfume, de crepúsculos estranhos, de todo o mistério e a magia e das rápidas dádivas da vida e da morte que tradicionalmente associamos à Índia. ‘In the Bazaars of Hyderabad’ brilha como uma joia oriental.”
IN THE BAZAARS OF HYDERABAD
Sarojini Naidu 1879–1949
What do you sell, O ye merchants?
Richly your wares are displayed.
Turbans of crimson and silver,
Tunics of purple brocade,
Mirrors with panels of amber,
Daggers with handles of jade.
What do you weigh, O ye vendors?
Saffron, lentil, and rice.
What do you grind, O ye maidens?
Sandalwood, henna, and spice.
What do you call, O ye pedlars?
Chessmen and ivory dice.
What do you make, O ye goldsmiths?
Wristlet and anklet and ring,
Bells for the feet of blue pigeons,
Frail as a dragon – fly’s wing,
Girdles of gold for the dancers,
Scabbards of gold for the kings.
What do you cry, O ye Fruit merchants?
Citron, pomegranate and plum.
What do you play, O ye musicians?
Sitar, Sarangi and drum.
What do you chant, O ye magicians?
Spells for the aeons to come.
What do you weave, O ye flower-girls?
With tassels of azure and red?
Crowns for the brow of a bridegroom,
Chaplets to garland his bed,
Sheets of white blossoms new-garnered
To perfume the sleep of the dead.
NOS BAZARES DE HYDERABAD
Tr. por RB
O que vendeis, mercadores?
Ricas peças ostentais:
turbantes rubis, prateados,
túnicas púrpuras em brocados
espelhos em molduras de âmbar,
punhais com cabos de jade.
O que pesais, vendedores?
arroz, lentilha, açafrão.
O que triturais, senhorinhas?
temperos, hena e sândalo.
O que apregoais, ó mascates?
dados de marfim e xadrez.
O que forjais, ó ourives?
Argolas, anéis, tornozeleiras,
sinetes aos pés de pombinhas,
frágeis feito libélulas,
das irisadas asinhas,
reluzentes corpetes às cortesãs,
bainhas doiradas aos reis.
Ó vendedores de frutas,
que vós anunciais?
Cidras, ameixas, romãs.
Cantadores o que tocais?
Sitar, sarangi, tambor.
O que repetis feiticeiros?
mistérios do outro porvir.
O que teceis, ó floristas,
com borlas de azul-vermelho?
Coroas `a fronte de noivos,
guirlandas a enfeitar seus leitos,
lençóis alvos de jasmins em broto
a perfumar o sono dos mortos.
Nota da Tradutora:
Um clássico da literatura indiana.
Publicado na coletânea “The Bird of Time” [O Pássaro do Tempo] em 1912, em Londres e Nova
Iorque.
Estrutura poética: 5 estrofes com rimas ABCBCB. A força lírica emerge simultaneamente de
som e sentido com total controle métrico das linhas, cada palavra precisa em melodia e imagética
sensorial.
O leitor entra em cena de um bazar indo-persa já no título do poema e se encontra nos versos em
total unidade com a voz poética que transmite pari passu a rica vivência do bazar.
Há de se mencionar que Sarojini Naidu não foi apenas uma poetisa maior de seu conturbado
tempo, mas foi uma mulher de visão social impecável e ativista social do Movimento de
Libertação da Índia do jugo colonial britânico.
Sarojini foi uma poetisa venerada por Cecília Meirelles, a qual escreveu o poema “Canção para
Sarojini” no seu livro “Poemas Escritos na Índia” publicado em 1953 no Rio de Janeiro.
Cecilia, embora não tenha conhecido Sarojini, esteve em 1950 na Índia e visitou o Bazar de
Hyderabad e com base nisto escreveu este poema.
Esta tradutora também conheceu o Bazar, o que pode facilitar recriar esta tradução para a língua
portuguesa hoje.
RoseAngelina Baptista, poeta
