No dia da Saudade-Um poema de RoseAngelina Baptista – A poem on Saudade Day in Brazil.

Dia da Saudade — 30 de Janeiro (Brasil)

No Brasil, o 30 de janeiro não se assinala com sinos nem com bandeiras. Assinala-se em silêncio. É o Dia da Saudade, essa palavra que não descreve apenas um sentimento, mas também um modo de habitar o tempo. Nesse dia, o passado não regressa — aproxima-se. Senta-se ao nosso lado. Respira connosco.

A saudade é memória que insiste, amor que não se despediu, presença que sobrevive à ausência. Não é apenas falta: é permanência. Recorda quem partiu, quem ficou longe, quem foi tempo e já não é lugar. É um gesto íntimo de homenagem, feito de nomes ditos em voz baixa, de imagens que regressam sem aviso, de instantes que continuam a doer e a iluminar ao mesmo tempo.

Não é feriado. É mais exigente do que isso. Vive no calendário dos afectos, onde as datas não se contam, sentem-se. No Brasil, a saudade tornou-se canção, poema, fotografia antiga, carta nunca enviada. Celebrá-la é aceitar que algumas ausências não se superam — acompanham-nos. E que viver também é aprender a caminhar com elas.

Temos a honra aqui nos Filamentos de celebrar este dia com uma poema de RoseAngelina Baptista

Day of Saudade (Nostalgia) — January 30 (Brazil)

In Brazil, January 30 is not marked by ceremonies or public rituals. It is marked by an inner pause. It is the Day of Saudade, a word that names not simply a feeling, but a way of living with time. On this day, the past does not return — it leans in, quietly, and stays.

Saudade is memory that refuses to fade, love that outlives departure, presence persisting within absence. It is not merely longing; it is endurance. It remembers those who have gone, those who remain distant, those who once were and still are, in another register of being. It is a private act of tribute, shaped by whispered names, recurring images, and moments that ache even as they glow.

Not an official holiday, the Day of Saudade belongs instead to an emotional calendar — one measured not in dates, but in depth. In Brazil, saudade has become song, poetry, a faded photograph, a letter never sent. To honour it is to accept that some absences are not meant to be healed. They are meant to be carried — and, through them, remembered into life.

We have the honor, here in Filamentos, of commemorating this day with a poem by RoseAngelina Baptista.

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