
Resumo 16
No Verão de 2022 passei férias num Hotel de Pedrógão Pequeno e ao jantar lembro-me de ter visto um labrego na mesa ao lado a dar ordens a uma empregada de mesa ao afirmar num tom ditatorial «Deixe a garrafa!» mas a rapariga não deixou a garrafa e nunca mais apareceu. Estamos em 2026. Almocei no Domingo passado num restaurante das Docas e fiquei perto de uma mesa onde um labrego como o outro não disse «Deixe a garrafa!» mas foi mais longe e roubou uma garrafa do carrinho onde a empregada a tinha posto e colocou-a na mesa. Havendo duas mesas muito perto uma da outra o carrinho servia para essas mesas. Há gente assim, estão convencidos que são príncipes com orelhas de burro mas são burros com orelhas de príncipe. No Natal de 1966 recebi uma agradável surpresa quando o meu colega António João Rodrigues Lopes juntou num envelope o resultado de uma subscrição entre todos e todas as colegas do trabalho ou seja os novecentos escudos do meu mês de Natal o qual eu não recebia por ter entrado no BPA em 9 de Setembro. Acontece que outro labrego atirou para toda a gente ouvir naquelas conversas da hora de almoço entre o meio-dia e as duas da tarde: «Ontem estive no Casino Estoril e gastei quinhentos escudos num jantar de gala!» mas quinhentos escudos era mais de metade do meu ordenado mensal. Estes três labregos fazem parte daqueles portugueses que nnca leram a Carta de Bruges escrita em 1426 pelo Infante D. Pedro a seu irmão o futuro rei D. Duarte e estiveram na Batalha de Alfarrobeira em 1449 do lado errado da História. Ganhou a Idade Média, perdeu o Portugal Moderno. Em resumo: quero, posso e mando mas.
José do Carmo Francisco, escritor
