Cânticos do Mesmo Sal – Poesia de José Do Carmo Francisco

Canção breve para Ruben A. (1920-1975)


Quem nasceu em Portugal
Ficou a perder à partida
E num país tão desigual
É grande atraso de vida.
Entre a verdade e a ficção
Nasce uma autobiografia
Nas Páginas sempre à mão
De repente, quem diria?

Canção breve para Ana Isabel em 2026


Já deixou de ser a criança
Continua a ser a menina
O seu signo é a Balança
E o tempo fica à esquina.
Está no Jardim Infantil
Para festejar a alegria
No pátio é sempre Abril
A brincar vem outro dia.

Canção breve para a Cantina das Freiras


Quem pega no tabuleiro
E vai comer na esplanada
Sabe que o «menu» inteiro
Se acendeu na madrugada.
O peixe, a carne e a dieta
São três linhas na refeição
Na vida inteira e concreta
A morte não tem razão.


José do Carmo Francisco, poeta


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