The Colors of Silence / As Cores do Silêncio

NIGHT BEFORE DEPARTURE
Alfred Lewis, 1971
                                                                                                        
No more his voice. Silence
Dictated the grand occasion.
He who had alerted me,
Joyfully each day,
How graced our kitchen table.
 
Mother it was who had decreed
The needed immolation:
Our priest had been invited,
Tio Corvelo the whaler
And my teacher Leal Dias.
 
Nearby a chunk of wood became
A starry mound of ashes;
The rain, falling, tapped our roof.
The shouting sea spelled my fear.
 
Oh, I wanted to stay! Yet a voice
Trumpet clear above the storm
Alerted me to leave
To see, taste, and hear the unknown
As had Father, before.
 
Our victim, meanwhile, became absent
As hungry mouths devoured it:
A wing; a thigh; a gizzard for the priest.
Mother soaked its sauce in a slice of bread
Corn, just baked
 
My teacher spoke:
“What our ancients did, my son
And others will; it’s our scarcity;
Our salt-sprayed field; the fog
Shrouding our sorrows. .”
 
Our guests nodded “Here, taste this leg,”
Mother insisted. “Eat, you must be strong

To cross all that sea.”
 
Yet, mourning my friend
I refused its flesh, thinking
How silent sunrise would be
I left home in the morning,
Last morning at home.

NOITE ANTES DA PARTIDA
Alfred Lewis, 1971 Tr. by Diniz Borges
 
A sua voz já não existe. O silêncio
Ditou a grande ocasião.
Ele que me havia alvorotado,
Com alegria todos os dias,
Agora agraciava a mesa da nossa cozinha.
 
Foi a mãe que decretou
A imolação necessária:
O nosso padre tinha sido convidado,
Tio Corvelo, o baleeiro
E o meu professor Leal Dias.
 
Perto, um pedaço de madeira tornou-se
Um monte estrelado de cinzas;
A chuva, caindo, batia no nosso telhado.
O mar gritando, soletrava o meu medo.
 
Oh, eu queria ficar! Mas uma voz
Trompete clara sobre a tempestade
Alertou-me para partir
Para ver, saborear e ouvir o desconhecido
Como o pai, o havia feito.
 
A nossa vítima, entretanto, ausentou-se
Enquanto bocas famintas a devoravam:
Uma asa, uma coxa, uma moela para o padre.
A mãe num ensopado molhava uma fatia de pão
Milho, acabado de cozer
 
O meu professor falou:

“O que os nossos antigos fizeram, meu filho
Tu e outros o farão; é a nossa escassez;
O nosso campo salgado; o nevoeiro
Que encobre as nossas tristezas…”
 
Os nossos convidados acenaram. “Toma, prova esta perna”
A mãe insistiu. “Come, tens de estar forte
Para atravessar todo esse mar.”
 
No entanto, de luto pelo meu amigo
Recusei a sua carne, pensando
Como o nascer do sol seria silencioso
Ao sair de casa pela manhã,
A minha última manhã em casa.

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