Notas de Leitura por José do Carmo Francisco

Danos Patrimoniais de Amadeu Baptista

Publicado pelas Edições Afrontamento, com posfácio de Henrique Manuel Bento Fialho, desenho de Margarida Santos e colagem de António Ferra, este livro de Amadeu Baptista (n.1953) junta em 922 páginas uma escolha pessoal de 40 anos de actividade literária iniciada com «As Passagens Secretas de 1982. O ponto de partida é (pode ser) o poema «Mil novecentos e cinquenta e três», assim: «Logo no primeiro ano/estou só/e não me consigo manter de pé./Se suspeitasse sequer/que iria ser assim para toda a vida/ não me riria/com estas gargalhadas /cristalinas.» O ponto de chegada é (pode ser) o poema «Dois mil e oito», assim: «Se sou poeta, ou não, interessa pouco/O que escrevo é só um tempo breve/em que os mortos e os vivos se procuram/para que haja testemunho e não seja longa a espera/do fim que há em tudo». Pelo meio fica um percurso que, sendo um poema, é também uma oração: «Com as lágrimas nos olhos, Senhor, e a cabeça coroada de espinhos,/pedimos-Te a libertação do nojo que ocultamos nos nossos corações/o nojo intemporal/que geramos no nosso ventre e ao nosso ventre voltará/sob a forma de cal/purificadora». Amadeu Baptista tem poemas traduzidos para alemão, castelhano, catalão, croata, francês, grego, hebraico, inglês, italiano, mandarim e romeno. A sua colaboração em jornais e revistas, livros colectivos e antologias estende-se a vários países: Alemanha, Áustria, Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, E.U.A., Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Luxemburgo, México, Portugal, Roménia e Uruguai.

José do Carmo Francisco, escritor

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