Cristino Cortes nos 500 anos do Poeta

Cristino Cortes (n.1953), autor de 18 livros (poesia e prosa), abre este seu recente volume de 96 páginas (edição Calçada das Letras, paginação e grafismo Álvaro Giesta, desenho de letras Dorindo de Carvalho, capa o túmulo de Camões no Mosteiro dos Jerónimos – Estúdio Mário Novais) com uma referência pessoal «Não sendo embora um erudito nestas matérias camonianas, não quis deixar de aproveitar a oportunidade para expor em voz alta algumas observações de autodidacta, amador e apaixonado». Já em sete dos seus livros anteriores era possível rastrear uma permanência da obra de Luís de Camões . Por outras palavras «A minha admiração pela obra do grande Poeta vem de muito atrás. E permanece, se possível ainda mais viva e informada». O autor convoca leituras de Eleutério Cerdeira, Nuno Júdice, Vasco Graça Moura, Jorge de Sena, Isabel Rio Novo, Carlos Maria Bobone, Maria João Lopo de Carvalho, João Morgado, Aquilino Ribeiro, José Hermano Saraiva, Maria Vitalina Leal de Matos, Mário Saa, William Storck, Vítor Manuel Aguiar e Silva e Gomes de Amorim (entre outros) que fazem confirmar a ideia de Pedro de Magalhães Gândavo em 1574 quando afirmou sobre Luís de Camões «de cuja fama o tempo nunca triunfará». Vejamos duas notas apenas: na página 82 o poema dedicado a Cruzeiro Seixas abre com «O poeta é um criador. Em seu pouco consciente mester/suplanta as leis da física, a pretensa lição da realidade»; na página 84 o poema abre com «Mesmo que o tempo nos pareça cinzento, triste o nevoeiro/Há lá no fundo a adequada música, a justa canção». Uma maneira feliz de celebrar os 500 anos do nosso Poeta maior.
José do Carmo Francisco, escritor
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