A vida é um mistério por José do Carmo Francisco

Quem entrar na plataforma do Youtube e escrever a palavra «Alicinha» encontra uma valsa composta pelo catarinense António Carvalho (1901-1934) e dedicada à sua filha Alice (n.1930) em Portalegre, onde vivia ao tempo. A partitura para piano foi trabalhada num arranjo do Maestro Adelino Mota e executada no Centro Cultural Caldense pela Banda Comércio e Indústria das Caldas da Rainha. Tudo isto aconteceu porque o António Carvalho Freitas, filho da (ao tempo menina Alice) a quem a valsa é dedicada. descobriu a partitura no fundo de uma gaveta da casa dos pais. E tudo isto tem a ver comigo porque somos primo além das raízes comuns em Santa Catarina – Caldas da Rainha. Dá-se o caso de a minha neta mais recente (tem um ano de idade) ter o mesmo nome da prima a quem a valsa foi dedicada pelo seu pai que morreu tão jovem. Quando a minha neta nasceu, a primeira menina num grupo de seus netos, escrevi um conjunto de poemas e estou à espera de em 2026 o editor José Ribeiro e o designer Armando Cardoso avancem com o pequeno livro na Editora Espaço Ulmeiro. A música é uma arte maior enquanto a escrita poética é, em comparação, uma arte menor mas como diz o povo «quem dá o que tem a mais não é obrigado». Ligar uma valsa escrita nos anos 30 do século XX com um livro de poema s escrito nos anos 20 do século XXI é um mistério que só o nome Alice ajuda a desvendar. Gosto muito de todos os meus netos (Tomás, Lucas, Pedro, António e Daniel) mas a Alice tem a particularidade de ser uma menina. Eu por exemplo sou um caso muito diferente -tenho duas irmãs e nenhum irmão. Em resumo: a vida é um mistério.   

José do Carmo Francisco, escritor

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