December 19: A Hymn for Goa’s Liberation- Padāvalī in Sanskrit by RoseAngelina Baptista (poeta)

This series of verses, Padāvalī in Sanskrit, represents my hymn of love to Indo-Portuguese art, celebrating the 64th anniversary of the liberation of Goa, in India, on December 19, 2025.

Dedicated to Angelo da Fonseca (1902–1967).


Esta série de versos, Padāvalī  em sânscrito, representa meu hino de amor à arte Indo-
Portuguesa, celebrando o 64º aniversário da libertação de Goa, na Índia, em 19 de dezembro de
2025, e intitula-se:

Dedicado a Angelo da Fonseca (19021967)

Acknowledgments/ Agradecimentos:
Goa: MuseIndia, 2022. Hyderabad, India
Goa: Quiasmo Revista, 2025. Barcelona, Spain.
Brackish Waters: Joao Roque Literary Journal, 2019. Goa, India.
Nossa Senhora do Monte, Lusitanian Will, Xaile: IV Antologia dos Poetas Lusofonos da
Diaspora, 2022. Germany.
The Good Shepherd / O Bom Pastor: Gavea Brown, 2025. Rhode Island, USA.
The Sun Ashes / Cinzas do Sol: Adelaide Literary Award Anthology. Poetry, 2019. New York
City, USA.
A Sea of Milk: Filamentos Arts and Letters, 2025, California, USA.


To view the bilingual recitation videos of some of these poems, please visit YouTube and search
for the Fresno State Portuguese Beyond Borders Institute and The Alfred Lewis Bilingual
Reading Series. Thank you very much.

Goan Padavalis / Padavalis de Goa

I Goa
II Brackish Waters / Águas Salobras
III A Sea of Milk / Mar de Leite
IV Our Lady of the Mount in Old Goa / Nossa Senhora do Monte
V The Good Shepherd / O Bom Pastor
VI Jagadamba
VII At Rama’s Fort / Forte do Cabo de Rama
VIII Ashes of the Sun / As Cinzas do Sol
IX The Hope Chest / Lusitanian Will
X Shawl / Xaile

GOA
Goa,
a digressive diphthong
with sexagenarian rhymes, 
slothful Portuguese words.
Goa, 
epistle from Lisboa.
Goa,
birthplace of Amor,
Camonian sonnet.
Goa,
my unfinished
redondilla hazy
as the English poems
of Fernando Antônio Pessoa.
Goa and I,
rendezvous of two vowels
the first one, stressed.
the other, at rest.
Susegad.
  सुसेगाद  

GOA

Goa é um ditongo
decrescente
Com rimas
sexagenárias de preguiçosas
palavras portuguesas.
Goa,
Epístola de Lisboa.
Goa, berço do soneto
Camoniano Amor.
Goa,
minha redondilha inacabada
fosca como English Poems
de Fernando Antônio Pessoa.
Goa e eu,
um Rendez-vous
de duas vogais.
A primeira estressada,
a segunda pacata,
em repouso,
Sossegada.
Susegad.
  सुसेगाद  
 

BRACKISH WATERS

Reason worships water
as naturally attracted to the water element
as to the clarity, brilliance of light.
I, an Amazon child,
became an outcast soul,
just to know the spells of Mandovi river in June.
By reason, and not by
that thing which
constantly contradicts reason within.
Shouldn’t our last breath be
easy
as sailing a boat?
Our waters, brackishly calm
and recollected,
followed by a copious,
benevolent, windy summer rain.
And those particles of matter that
remain fluid in form
from all visible sources
converging
in one solely sponge-like trove
underneath Chorão Island,
revitalizing some
wondrous aquifer.

ÁGUAS SALOBRAS

A razão endeusa a água.
naturalmente atraída pelo elemento água,
tanto quanto pela claridade, brilho da luz.  
Eu própria, criança do Amazonas,
tornei-me um’alma pária…
Só pra ver em Junho, o Rio Mandovi.  
Pela razão,
—Não por aquilo
que constantemente a nega dentro da gente—

nossa última respiração
quiçá  pudesse ser
a de um barco a velejar.  
Nossas águas salobras,
calmas e cheias de lembranças,
seguidas por benevolente

grande chuva e vento de verão.
A matéria remanescente,
de todas as fontes visíveis,

fluidas em formas,
absorvidas numa única arca-esponjosa
sob a Ilha de Chorão,
revitalizando um poderoso aquífero.

A SEA OF MILK
Dudhsagar Falls

The far-off mountains
veiled
in dark jade,
softened and fading.
A sudden hush,
a holiness of years.
They concealed the bride’s face:
the certainty of her quiet,
hidden
calm made sacred.
The Sahyadri hills became
a bride in lace,
resting in exalted silence,
her long veil
unfurling down the cliffs,
and in her waiting hands
she carried
a bouquet
of monsoon wind.

MAR DE LEITE
Cataratas de Dudhsagar, Goa

As montanhas distante
vestiam burca
de escuro jade
desbotado.
Repentino arroubo,
santa idade.
Escondiam o rosto da noiva.
A exatidão de seus votos.
seus reclusos pensamentos.
Sublime calma.
As montanhas Sahyadri eram
a noiva amantilhada,
em silêncio excelso,
Seu longo véu
rolando pelo penhasco,
trazendo às mãos,
um ramalhete
de ventos monçônicos.

OUR LADY OF THE MOUNT in OLD GOA
Even now, rain across
the overlook, drifts
above the hill chapel,
high over the Mandovi.
Little clay saints sit
in quiet thought.
Our Lady,
blue-eyed,
like Maria of Mylapore
shaped in small figures
from clay built up in gentle layers,
thin as a sweet made slice by slice.
Across the courtyard
they garland the cross
with carnations
and bright yellow flowers.
The downpour softens
the layered clay of the idols.
Cosmas and Damian seem eager
to play with Gopala and Ganapati,
rocking together
on makeshift palanquins
as the river rises
in flood.

NOSSA SENHORA DO MONTE
Não obstante
chove no mirante 
sobre a Capela do Monte
Nossa Senhora 
de olhos azuis feito Maria 
de Meliapore…
Modela as esculturas
de barro em camadas de bebinca
Santinhos de barro meditam
Pelo adro, garlandeiam o cruzeiro
de cravos e abolim
A enxurrada lava 
os ídolos de bebinca
São Cosme e Damião querem
Brincar com Gopala e Ganapati
Balançando em palanquins
no aluvião do Mandovi.

THE GOOD SHEPHERD
Madrigal to an Indo-Portuguese Statuette.
For Diniz

Peaceful child,
part Gopala,
part Gautama.
Madras-woven tunic
wind-borne from Bactria;
a gourd at your belt,
sandals of Nelore hide.
High on the hill,
little lambs wander
through a sad Saint John’s day.
A lion-fountain sneezes,
spraying a baptismal font.
And in the grotto’s dim,
who leans against the stone?
Magdalene, newly humbled?
Vishnu wishing himself Rama?
Buddha at the wheel’s last turning,
calm in parinirvana?
The Holy Mother’s lap,
where has her embrace gone?
And the small Lusitanian horse,
rocker carved from plain wood,
is its mane tightly braided?
its tail of coarse sisal?
Good Shepherd Child,
ivory born of Congo and Gabon,
from the andor you’ll receive kisses
as the basilica winds in procession:
carnations from golden India,
and cool Luso water
wash you clean.

O BOM PASTOR
Madrigal a uma Estatueta Indo-Portuguesa.
Para Diniz
 
Sossegado menino,
uma parte é Gopala
outra parte é Gautama.
 
Túnica madrás da Báctria,
cabaça ao cinto, presa.
Sandálias de couro Nelore.
 
No alto do morro, carneirinhos
dum São João triste,
Leão chafariz num espirro
de pia baptismal.
 
Embaixo, quem se reclina na grota,
Madalena convertida?
Vishnu querendo ser Rama?
Buda no final da roda,
sereno em paranibana?
 
A Santa Mãe do regaço,
onde andará seu abraço?
E o cavalinho lusitano
de balanço feito a pau
com crina trançada
e cauda em sisal?
 
Bom Jesus Menino!
Marfim do Congo e Gabão.
Do andor vais receber beijos
da basílica em procissão,
cravos da dourada Índia,
água lusa, tua ablução.
 

JAGADAMBA, 1925-1950
for Dammayanti

Jagadamba, my mother-in-law,
died young, far too soon.
Friend of Rama,
the god of the conch,
who blew from the Indian sky
those bright, vivid stars
the night Jagadamba passed.
Rama darkened that night
so Jagadamba’s little children
could sleep deeply.
He swept the sky
clean of palm-frond light,
made it black
over the Godavari delta.
He left only the moon,
a wet nurse
for the wailing baby,
kicking and crying in the cradle,
crying and crying
like a fresh monsoon.
O Moon of Rama,
troublesome moon,
shine your gentle light,
for you who dry-nursed
a son, with your shrinking
breast, your waning glow.

JAGADAMBA, 1925-1950
for Dammayanti

Jagadamaba, minha sogra
morreu nova, muito cedo.
Amiga de Rama,
o deus da concha
quem soprou do Céu Indiano
as garridas estrelas
quando Jagadamba morreu.
Rama deixou aquela
noite em breu pras crianças
pequenas de Jagadamba
dormirem profundamente.
Rama fez o Céu
varrido de palmeiral
se tornar negro
no delta do Rio Godavari.
Só deixou a lua, ama-de-leite
Pro bebê chorão, esperneando
no leito, chorando, chorando
como uma chuva criadeira…
O’ Lua de Rama,
lua tratante,
a tremeluzir
pois és ama-seca
teu peito, minguante.

AT RAMA’S FORT
for Jagadamba, my mother-in-law
The stairway of the Fort
at Cape Rama calls to the guinea fowl:
“Come down, come down with care.”
“I’m weak, I’m weak—”
the Fort resounds.
Cannons, arches, bastions:
“I was strong, I was strong.”
Garrison, cross, and chapel:
“Very strong, very strong.”
“Come down, come down with care.”
“So weak, so weak,”
the Cabo calls to the trench.
And Rama, fully armed,
“So strong, so strong!”

  • December 19, 1961.

FORTE CABO DE RAMA
Para Jagadamba, minha sogra
 
Diz a escada do Forte
do cabo de Rama
`as galinhas d’angola:
“Desce, pois, com cuidado”
 
Tô fraco, tô fraco—
Ressoa o Forte.
 
Canhões, alcantis, baluartes:
Já fui forte, fui forte.
Guarnição, cruzeiro e capela:
Mui forte, mui forte.
 
Desce, pois, com cuidado.
Tão fraco, tão fraco
diz o Cabo ao fosso.
E Rama artilhado,
tão forte, tão forte!

  • Dezembro 19, 1961.

ASHES OF THE SUN
Ashes of the Sun blind the sky;
dry the salt pans of Pernem.
Feed the moon small bites
of saffron and lime.
Fall, fall, O sun-ashes,
lay golden dust
in the four corners of the mind.
India’s ashes
coil through my waters:
Toasts to saints,
betel leaves, marigolds, candles,
cups of wine.
O sun of India’s house!
When you fall at random
on the promontories of Goa,
calm, rust-orange,
imperturbable, you lie down,
smeared in the pyre of evening.
Bloodless, you say farewell
to the acacia domes,
their spines
scratching violet across your glow.
The Goan sun hides itself
in my diary,
in a golden acacia pompom,
scented with love-Om.

AS CINZAS DO SOL

As Cinzas do Sol
cegam o céu;
Secam o sal de Pernem.
dão bocadinhos à lua
de açafrão e cal.
Cai, cai pó-ente,  
põe cinzas d’ouro
nos tetracantos da mente.
Cinzas da Índia
serpenteiam em minhas águas:
Brindes de taças aos santos,
bétulas, crávulos, vélulas tantas,
Taças de vinhos.
Ó sol da casa da Índia!
Quando cais ao acaso
nos promontórios de Goa,
Calmo, enferrujado,
Ah! laranja dó,
Imperturbável te deitas
untado a pira do ocaso.
Exangue, dás adeus
aos domos d’acácia,
seus espinhos 
que te arranham violáceos.
O sol de Goa se esconde em meu diário
num pompom amar-hélio
d’acácia perfumado de amorOm.   

THE HOPE CHEST

A pair of wedding rings,
engraved in São Miguel.
Iron bracelets traced
with jade meanders of the Zuari.
A breast medallion
from the land of Santa Cruz.
Princess earrings
out of Lisbon.
The Good Shepherd,
carved in ivory from Mozambique, Angola.
A porcelain teacup from Macau, E.I.C.
From Timor-Leste, a sandalwood rosary;
from Sri Lanka, Dalgado’s Luso-Asian dictionary.
Mother of God!
polygamy, sorrowed feudal legacies,
dispatches from trading posts,
and letters sealed by kings.

LUSITANIAM WILL

Uma par de alianças  
gravados em São Miguel.
Braceletes de ferro 
Com meandros jades do rio Zuari.
Um crucifixo em trancelim
da terra de Santa Cruz.
Brincos de princesa de Lisboa.
Bom Jesus em marfim de Moçambique, Angola.
Xícara de chá porcelanada de Macau, E.I.C.
Do Timor-Leste um rosário de sândalo,
do Sri Lanka o glossário luso-asiático de Dalgado.
Madre de deus
poligamia, tristes herancas forais,
missivas de empórios e letras reais.

SHAWL
The sea lays
down upon me
as a shawl
lattices my winged shoulders 
worn by wanderlust.
As dupattas, the long shawl
of moor sirens
who give to the prisoners
tied to the carrack’s main mast
soniferous potion, spells
triggering swells
still to become
more tormented
shawls made of pitch-black
waters and brumes
cut with blind
blades sloth saws
bays of adeus and
estuaries of
solitude.

XAILE

O mar
se deita em mim
como um xaile
 
arrendilhando 
espáduas gastas,
aladas de viajar.
 
Como dupattas,
os xailes l o n g o s
de sirenes moiras
 
que dão aos magos
atados ao mastro guia
mesinhas de sonífero
e atiçam tormentas
 
para serem
mais que sempre
atormentadas.
 
Xaile do breu
das águas brumas
cujos gumes cegos
 
serrilham lentas
baías de cinco letras,
estuários de adeus
 
e mapas de solidão.

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