
Nota do Pesquisador Manuel Menezes de Sequeira, Professor Emérito –Guilherme Read Cabral: acto final de uma singular predilecção pelos florentinos e pela Flores
Depois de ter escrito sobre as Flores, após a sua vinda em 1883, no seu Glorias e primores de Portugal, publicado em 1889, e depois de, vindo em sindicância no final 1890 e início de 1891, ter escrito um interessantíssimo relatório onde já advogava a favor das Flores, Read Cabral publica na revista mensal Portugal Agrícola, número 3, páginas 275 a 282, no volume correspondente a 1891 e 1892, um novo artigo sobre as Flores, mais focado na agricultura e na pecuária, mas onde regressa aos pontos abordados no relatório. É um escrito mais pessoal, mais livre, onde revela a sua amizade pelos florentinos e pelas Flores de forma explícita, coisa que apenas se depreendia nos textos anteriores. Diz ele que pretendeu apenas «advogar os interesses materiaes aduaneiros e commerciaes d’uma terra e d’um povo pelos quaes tenho singular predilecção». Junto com os restantes textos do autor, dá-nos uma interessante visão sobre as Flores do final do séc. XIX. Boas leituras!
Nota: As minhas notas estão concentradas no final do texto.
Fonte: Este texto está na Biblioteca Pública Arquivo Regional de Ponta Delgada, que me forneceu uma digitalização (paga). Ver a cota REV 6/342.
É a mais occidental terra da Europa nos mares do Atlantico, e tanto se aproxima da costa Americana que as aguas do Gulf Stream remoinham em todo o seu littoral, produzindo perturbações oceanicas n’aquellas paragens, tão violentas, que têem sido por vezes fataes, occasionando o desapparecimento de barcos, arrastados fóra de seu rumo na travessia entre esta e a vizinha ilha do Corvo.
Bem mereceu aos seus descobridores chamarem-lhe—Flôres.
A hortense, pujante de opulencia, encontra-se por toda a parte, ora bordando estradas e veredas, ora extremando propriedades, ou alastrando-se em grandes chapadas nas vertentes das serras, sobrelevando-se e esmaltando d’azul os campos matizados de florinhas silvestres de mil côres.
É assim agradavelmente modificada a solemnidade d’aquellas solidões e o aspecto selvagem, mas imponente, d’aquelles elevados montes e profundos valles.
E quem, afóra os seus habitantes, se tem extasiado no meio d’esta natureza magestosamente agreste? Bem poucos !
Até 1874 a navegação entre as Flores e outras ilhas do archipelago era limitada a uma pequena chalupa que faria, quando muito, seis viagens por anno.
D’ahi para cá é que se estabeleceu uma communicação mensal a vapor, permittindo aos delegados do Governo visitar a ilha d’annos a annos, em inspecção de serviços, limitada todavia ás poucas horas da demora do vapor da carreira, de modo que lhes é apenas conhecida a Villa de Santa Cruz, sua capital, situada n’um terraplenado fechado em redor pelos contrafortes da montanha que constitue o grande corpo da ilha, e a impressão recebida ao desembarque, diga-se a verdade, não lhes pode ser agradavel.
O notavel das Flores está nos altos, n’esse planalto de 5 a 6 leguas quadradas, campina enorme, cortada de ribeiras e embellezada de lagoas, umas em grande profundidade, negras, infundindo no animo um certo pavor; outras fechadas por crateras de formas caprichosas e pequena elevação, cuja crusta calcinada e alvadia é como um reflector nas crystallinas aguas aonde se vê em profusão, até grande distancia da margem, peixes de variadas côres, animando aquelle quadro d’uma incomparavel amenidade e grata contemplação.
Uma maravilha este ponto dos Açores, e que a natureza, avara das bellezas que ahi creou, parece querer esconder ás vistas do homem, oppondo mil obstaculos ao seu accesso e deixando-lhe entrever, muito apenas, n’um rapido lançar d’olhos, as suas magnificencias.
Um dia é insufficiente para ver, mesmo de corrida, metade do planalto, e n’aquelle escampado não ha aonde pernoitar para, no dia seguinte, continuar as suas observações.
A subida faz-se por veredas na primitiva, verdadeiros sulcos rasgados pelas aguas nos flancos da montanha, intransitaveis em alguns pontos a cavallo, obrigando-nos a saltar de pedra em pedra, vencendo difficuldades e perigos a cada passo.
Os animaes de carga são raros : d’aluguer nenhum.
Um cavalheiro da terra[1], sabendo do desejo que eu tinha de subir ao planalto, offereceu-se para me acompanhar e poz á minha disposição um pequeno cavallo que eu não suppunha capaz de me transportar com segurança por tão escabrosos caminhos.
«Monte, me disse o meu amigo, dando-me o exemplo, cavalgando outro d’eguaes dimensões, e tenha plena confiança no animal.
Estes cavallinhos são creados de pequenos na montanha, conhecem melhor do que nós os seus passos perigosos; são rijos como ferro e saltam como cabritos.»
Quando assomámos ao ponto culminante, apeando-nos n’alguns sitios de mais difficil subida, e que nos achámos na planicie deante de ribeiros e terrenos pantanosos, frequentes no planalto, dizia- me elle : «largue o governo e deixe-o saltar á vontade».
Era incrivel o que eu via fazer ao animal : parecia descrever curvas na execução do salto para evitar algum angulo de rocha impeditivo da evolução aerostatica em linha recta.
Outras vezes, extendidos sobre o dorso dos cavallos, tivemos d’atravessar, com inauditos esforços dos pobres animaes, atascadeiros profundos, em que por pouco não immergiam cavallo e cavalleiro.
Nunca imaginei sahir-me a são e salvo de temeridades que, sem o exemplo que me dava o meu companheiro, nunca emprehenderia. Das primeiras vezes queria desmontar.
«De modo algum, me gritava elle : ficava atolado ou sumia-se por ahi abaixo.» Achei preferivel quebrar as pernas e resignei-me; mas por fim saltava lamaçaes, ribeiras e barrancos com inteira confiança.
Quando, porém, chegámos á borda d’uma lagoa de surprehendente belleza e da qual me não arrancava sem pezar, para admirar outras mais formosas ainda, dei-me por amplamente compensado das commoções e fadigas da jornada.
Mas, que d’elementos de riqueza, dizia eu !
Aguas que, aproveitadas, alimentariam industrias importantes; pastagens que, melhoradas, seriam um manancial de prosperidade ! A quem pertence tudo isto? A todos, foi a resposta.
«Quem quer deita para aqui o seu gado.
N’estes desertos cria-se o bezerro, o potro e outros animaes que, abandonados ao seu proprio instincto, procuram sustento e abrigo, e por isso mesmo que estão expostos ás inclemencias do tempo, é que adquirem o vigor e destreza que você admira no seu cavallinho».
Pouco pude gozar de tudo que me rodeava.
Era forçoso regressar, antes que a noite nos surprehendesse na descida para a villa.
Além dos productos agricolas que constituem a alimentação da população, da qual pouco sobra, e nem sempre, para embarque, as forças vivas das Flores limitam-se ao commercio do gado bovino em numero de 200 individuos, approximadamente, por anno, e que vem para Lisboa no vapor da carreira, podendo e devendo ser em quantidade a ser uma fonte de riqueza publica.
Este gado, na maior parte, é creado no planalto, mas transportado que fôsse, d’inverno, para os valles mais amenos, que os ha com exposição sul e nas mesmas condições de logradouro commum e cito com especialidade o da Ribeira dos Moinhos entre a villa das Lagens e o Mosteiro[2], com terrenos magnificos, podia o seu embarque ascender a milhares de cabeças e em melhor estado de engorda.
E não menos importante poderia ser a industria de lacticinios na forma de queijo e manteiga, industria que, bem dirigida e sufficientemente alimentada, constituia fontes de riqueza para a ilha e augmento de receita publica.
Ha mattas a desbravar, terrenos a enxugar e a arrotear, convertendo-os em pastagens para a creação de gado vaccum, lanigero e caprino, e para a producção, sobretudo de manteiga que substituisse em parte essa substancia nociva e repugnante, essa margarina que se vende com a denominação, tão artificial como o proprio artigo, de manteiga, de procedencia, na maior parte, ingleza e que outra cousa não é, que gorduras quaesquer transformadas por processos chimicos n’um composto nauseabundo e que tem um preço superior ao que a respectiva industria poderia, ao abrigo do direito pautal, fornecer ao consumidor, mas verdadeira manteiga, sem outra base que a materia prima natural—o leite.
Ora eu devo dizer que o commercio de manteiga de vacca das ilhas não é uma novidade; mas chega ao continente em tão imperfeitas condições que ninguem a quer senão por baixo preço, porque ou é tão salgada que não se pode comer, ou então tem um ranço que nem para temperar comida presta.
A excepção, e excepção honrosa, que eu folgo de consignar aqui, é a que embarca o sr. Alexandre Leite da Gama[3] e que se vende fresca em perfeito estado na loja Açoriana, rua Augusta[4].
Consta-me que as pastagens d’onde elle colhe este producto são nos seus terrenos (certamente arroteados) da Achada das Furnas, região elevada na ilha de S. Miguel e que reputo a todos os respeitos em condições eguaes ao planalto das Flores, abundando este em agua no que esta ilha se avantaja de todas as outras. Ignoro qual o processo adoptado pelo sr. Leite da Gama, mas descreverei o que eu imaginei e que puz em pratica n’uma experiencia que muito de proposito fiz, quando estive o anno passado nos Açores, conseguindo trazer para Lisboa manteiga tão fresca e perfeita como acabada de fazer.
Depois de bem lavada e depurada do sôro, metti-a em latas de kilo, calcando-a bem, servindo-me para esse fim uma espatula de madeira.
Sobre a manteiga extendi uma tela fina d’algodão (cassa) a qual pulverisei bem de sal refinado.
Sem estar a manteiga em contacto com o sal, recebia o sufficiente para preservar a superficie. Não ha necessidade de soldar as latas. N’estas condições distribui algumas por pessoas das minhas relações, recommendando a todas que conservassem a manteiga immersa em agua pura, renovando-a diariamente.
Por este processo conservamos a manteiga sem alteração por espaço de mez e meio. Descaptivada a manteiga do panno, apresenta uma côr amarellada e um cheiro a ranço. É, porém, só na superficie. Tirada uma camada, o resto da manteiga em nada desmerece do seu estado primitivo em côr, aroma e gosto.
Eu quando me occupo especialmente da ilha das Flores para o desenvolvimento em larga escala d’um producto tão importante e que tanto conviria explorar, quanto mais que procuramos hoje produzir, não é porque seja a unica susceptivel d’essa industria[5]. As ilhas de S. Miguel e S. Jorge têem pastagens riquissimas e as suas manteigas são de excellente qualidade, mas os seus terrenos têem dono, em quanto que os das Flores são baldios incultos, ou do Estado ou do Municipio, accrescendo a abundancia inexgotavel d’agua em toda a sua superficie, que lhe dá uma superioridade sobre as outras. Quinhentos contos de réis[6] é o que sae annualmente do paiz para o que importamos do que se classifica—manteiga—mas que nada tem de commum com este precioso lacticinio; quinhentos contos que podiam cá ficar, dando trabalho a muitos braços e díminuindo a emigração das Flores causada pela inanição d’industrias.
A primeira vez que estive nas Flores e que foi em 1883, a população d’esta ilha era de 12.000 habitantes. Da segunda, 1892, estava reduzida a 9.000 e privada dos seus filhos mais validos. Rico não volta ninguem e o muito que trazem é o sufficiente para a construcção d’uma pequena casa e compra d’uns alqueires de terra de que tiram o necessario para a vida.
Com a introducção de pastos artificiaes em terras fertilisadoras, o que se não conseguiria das extensões de terrenos actualmente incultos e improductivos !
Á excepção das quebradas, das quaes algumas são ferteis valles interceptados por lombadas de grande altura, adelgaçados dorsos a que se chega a muito custo, e dos terraplenados, terras d’aluvião aonde os povoadores da ilha assentaram seus centros de colonisação, todo o interior.é montanhoso, sendo na parte mais elevada que se extende a enorme campina ou planalto de que venho de falar.
Todo este corpo central acha-se saturado das aguas das lagoas e ribeiros na sua superficie e que minam até á base maritima. Para se conhecer a abundancia d’agua que se encontra por toda a parte, basta brocar com a ponta d’um bordão ferrado as escarpas do monte para immediatamente se manifestar o processo d’infiltração n’aquelle vasto reservatorio da natureza.
E tão amollecidas estão as terras em toda a circunferencia d’este corpo, que não é raro, em pontos mais alcantilados e cedendo ao peso, desabarem enormes massas sobre os contornos da ilha, succedendo uma vez ser de tal modo prodigiosa a porção desagregada e precipitada no mar, que levantou uma vaga tão colossal que attingiu a ilha do Corvo, a cinco leguas das Flores, aonde lambeu os barcos varados na praia e ainda se reflectiu na costa do norte do Fayal distante das Flores trinta e quatro leguas[7].
Os productos do solo são de primeira qualidade.
Devido à superabundancia d’agua, o inhame, que só se cria bem em terrenos encharcados, é magnifico.
O trigo produz pão que, se não prima em alvura (condição essencial para o consumidor affeito á farinha americana e aos processos modernos de panificação, mas sem as qualidades de sabor e nutrição dos antigos meios de fabrico), é o mais leve, esponjoso e agradavel ao paladar que conheço. Quero-me convencer, tambem, que influe muito a bondade das aguas e o elevado grau de calor que empregam nos fornos.
Este cereal, quando excedente ao consumo da população é muito procurado nas outras ilhas para melhoria de semente, e o da ilha do Corvo é considerado ainda superior[8].
Os fructos gozam d’egual excellencia e as proprias carnes, pela fertilidade das pastagens, avantajam-se de tal modo, que conheço casas em Lisboa que se surtem de talhos aonde as ha de bois importados dos Açores.
Mas, dizia eu aos meus amigos florentinos, que abandono em que tudo isto está : tantos elementos de riqueza desprezados !
«Bem o sabemos, me respondiam (e sabem-n’o, porque povo mais intelligente, apezar do seu afastamento do mundo, será difficil encontrar), porém aqui não ha capital e as communicações são raras e incertas.
Faltam-nos estradas e sobretudo um porto seguro para carregar o que podemos produzir. Nem ao menos dispõe a delegação fiscal d’um guindaste para arriar o gado para dentro dos barcos.
Tem d’ir a nado ou embarcado a braços, processo demorado, difficil e perigoso.
Eis as razões por que vê tractos enormes de terreno, aliás productivo, completamente inculto, e industrias proveitosas de que apenas podemos apresentar amostras.
Se isto estivesse em mãos d’inglezes ou americanos, outra cousa seria.»
Esse recurso é insensato : diz-se, mas não se sente, observei :—haja iniciativa, haja espirito d’associação, haja conhecimento do que isto é e do que isto vale, haja quem queira explorar estes elementos, que a transformação se faria sem alienação de autonomia e perda de nacionalidade. E esses pantanos cuja superficie mascarada por espessa camada de musgo branco[9] que lhe dá um aspecto de solidez, mas que encobre um sumidouro, empregado que fosse um systema d’esgoto para a demasia d’agua, não se prestaria á cultura do arroz e do linho, artigos, qualquer d’elles, de grande proveito e lucro? Os praticos que decidam !
* * *
Passarei agora a outro assumpto que prende essencialmente com o desenvolvimento de industrias que tornariam as Flores uma das mais importantes ilhas dos Açores, assumpto de que me occupei officialmente na minha recente commissão[10]. Aportei áquella ilha a 13 de dezembro de 1890, tencionando regressar em egual dia do immediato mez de janeiro, pois esperava concluir os meus trabalhos d’inspecção e syndicancia dentro d’esse praso.
O vapor da carreira, porém, não poude n’aquella viagem communicar com a villa de Santa Cruz.
Um temporal medonho obrigou o Açor a refugiar-se na contra-costa da ilha, aonde apenas conseguiu desembarcar os passageiros e mallas, reconduzindo a carga que levava, o que produziu uma carestia de tudo quanto ahi se importa de artigos de primeira necessidade. Eis a que estão sujeitos os habitantes das Flores por falta d’um porto, podendo-o ter magnifico e com diminuta despeza, como mais adeante farei ver.
Tive pois d’aguardar a viagem de fevereiro e, para não perder o meu tempo, tratei d’estudar e relatar superiormente o que mais interessa á navegação e commercio florentino.
As descargas effectuam-se de dentro dos barcos a braços, trabalho violento, despendioso e arriscado, para sobre a praia, e d’ahi seguem os volumes, tanto de generos nacionaes como os que estão sujeitos a direitos, para casa de seus donos na falta absoluta d’armazem aonde fiquem sob a acção do fisco.
Achando da parte do digno e intelligente conductor d’obras publicas, o sr. Fernando de Mendonça, a melhor boa vontade de me coadjuvar no meu emprehendimento, aproveitei tão boas disposições e levantou-se pela repartição a seu cargo uma planta e orçamento d’um caes nas condições mais economicas, trabalhos estes que juntei ao meu relatorio e cuja despesa foi calculada em réis 2:401$600[11].
Outra planta e orçamento levantou aquelle funccionario para a construcção d’um barracão junto ao porto do Boqueirão e bahia de S. Pedro, a dois kilometros da villa, escampado sem abrigo de qualidade alguma. Destina-se esta casa a receber as mercadorias, quando o tempo não permittir a sua descarga no porto de Santa Cruz, evitando assim não só a sua exposição ás chuvas, tão frequentes n’aquellas paragens, mas o seu descaminho.
Esta obra foi orçada em 1:700$000 réis.
A falta d’armazens na villa, pois a casa da delegação fiscal[12], aonde tem logar a verificação, apenas admitte a entrada d’um volume de cada vez, fez com que eu me entendesse com o proprietario d’um edificio construido no mesmo nivel do projectado caes e muralha que protege o varadouro e pela qual deverão seguir os volumes sobre carris de ferro, n’uma extensão de setenta metros, até ao referido deposito[13].
Esta casa, que mede 25 metros de comprimento por 14 de largo, além de ter capacidade para receber o carregamento d’um navio, quando, por arribada forçada e avaria, tivesse de descarregar para concerto ou por innavegabilidade, tem todas as condições exigidas para os fins em vista :
Construcção moderna e solida;
Isolamento completo;
Situação a melhor e unica para repartição fiscal e suas dependencias.
Ha poucos annos esteve seu dono em ajuste com o Estado, para esse fim, pela quantia de 4:800$000 réis, não se realisando a acquisição, porque outros negocios mais urgentes o obrigaram a regressar á sua casa das Flores.
Depois de varias entrevistas com este cavalheiro, consegui d’elle a promessa de a ceder ao estado por 4:000$000 réis, no caso que merecesse ao governo a approvação da minha proposta, e posteriormente, vendo a difficuldade de prompto desembolso nas circumstancias difficeis do paiz, ainda obtive que o pagamento se fizesse em prestações.
Pedi um guindaste, d’esses hoje postos de lado pela substituição do trabalho braçal pelo vapor e que não faltam nas alfandegas, havendo tão sómente a despeza da sua conducção e assentamento.
Deixei contractado, dependente d’approvação superior, o pessoal para duas canoas baleeiras, uma para Santa Cruz e outra para a Fajã Grande na contra-costa da ilha, onde aporta o vapor da carreira, quando não pode communicar com a villa, ficando assim o littoral sufficientemente fiscalisado.
Estas embarcações, construidas na Horta, importarão, cada uma, em 135$000 réis. Do ajuste que fiz com patrões e remadores resulta que, em logar da fazenda publica pagar 1:138$800 réis que lhe custaria um pessoal regular, mesmo de 2.ª classe, viria a desembolsar apenas 475$200 réis.
Economia, 663$600 réis.
Seria absurdo e esbanjador retribuir com os ordenados estipulados por lei a esta classe, um pessoal que uma grande parte do anno, e quando a costa está guardada pela braveza do mar, não trabalha.
A entrada para o porto de Santa Cruz, semeada de recifes perigosissimos, não se pode franquear em noites escuras, mesmo com mar chão e bom pratico, sem que de terra se acuda com archotes.
Para obviar a este inconveniente e permittir que a fiscalisação maritima se possa exercer sempre que assim convenha, sem risco, propuz a collocação de duas lanternas, uma de luz branca e outra vermelha nos pontos que deixei designados.
Os barcos, enfiando estes dois focos luminosos, poderão entrar affoitamente. Uma despeza esta, quando muito, de réis 60$000.
Ha porém outro melhoramento de vital interesse para a navegação e commercio das Flores, que deverá transformar as suas condições economicas por um modo que não é facil calcular e que denonstrei ao governo, corroborando a minha exposição com as declarações escriptas do abalisado commandante do vapor Açor, o sr. Manuel Casimiro Pacheco, que navega ha sete annos para as Flores e tem perfeito conhecimento d’aquellas costas.
A bahia de S. Pedro, voltada ao Norte, protegida pelas terras altas dos quadrantes de Leste, Sul e Oeste, offerece um abrigo sem egual, quando os navios não podem communicar com a terra por aquelles lados, e cumpre notar que os ventos reinantes nos Açores são os dos quadrantes do Sul e Oeste. Durante a minha estada nas Flores observei diariamente que, em quanto toda a mais costa era inabordavel, as aguas d’esta bahia, distante da villa dois kilometros, se conservavam placidas como as d’um lago.
O vapor da carreira e mais embarcações, quando não podem ancorar e descarregar em Santa Cruz, fundeiam na bahia de S. Pedro, aonde estão em aguas tranquillas, podendo ahi effectuar todas as operações de carga e descarga com rapidez e segurança, se encontrassem as condições indispensaveis para esse effeito. Sem ao menos um varadouro para barcos, sem estrada para os conduzir para esse ponto, sem um caes para descarga, a bahia só serve d’ancoradouro.
As cargas e descargas fazem-se pelo Boqueirão, na mesma distancia de Santa Cruz, mas reflectindo, mui sensivelmente, os ventos que inutilisam o porto da villa n’aquelle ponto da costa, segue-se que o mar no Boqueirão acha-se sempre revolto e que a travessia entre o mesmo e a bahia, fazendo-se em pleno mar, não só é enxovalhada mas perigosa, além de ser muito mais demorado o serviço.
Em torno da bahia de S. Pedro a rocha precipita-se perpendicularmente, mar dentro, em grande profundidade, permittindo até que uma embarcação se acoste áquella muralha natural.
Na parte reintrante ha uma depressão na costa, á qual conduz um largo sulco que as lavas, nos tempos primitivos, abriram atravez da penedia, deixando um leito, preparativo de estrada e que só ha a aperfeiçoar com diminuta despeza. Talhando-se na rocha viva, n’uma altura de tres metros approximadamente, escada e patim, fica feito o caes, e em outro ponto se faria o varadouro.
A natureza está indicando e proporcionando vantagens de tal ordem n’este local, que surprehendeu-me terem dado a preferencia ao porto do Boqueirão, aonde se gastaram muitos contos de réis.
Questões d’interesse particular e conveniencias politicas, responderam ás minhas reflexões !
Sempre assim !—Orcei em 800$000 réis as obras precisas para fazer da bahia de S. Pedro um porto, como nenhum outro natural ha nos Açores.
Pessoas da ilha as avaliaram ainda em menos.
D’este modo tornava-se certa a communicação com a terra em todos os tempos, o que actualmente não acontece.
É frequente regressar o vapor sem poder desembarcar os passageiros e muito menos a carga.
Isto faz com que as auctoridades muito excepcionalmente visitam as Flores, e o mesmo succede com os particulares, e quero-me convencer que a abreviação da viagem, a amenidade do clima, a pureza de seus ares, a bondade das suas aguas e a barateza da terra, seriam incentivo para centenares de pessoas da America, menos favorecidas de fortuna, mas que têem de retemperar a saude na Europa, preferirem a ilha das Flores, uma das mais saudaveis dos Açores, a uma longa e despendiosa viagem.
E, a par da salubridade da terra, a hospitalidade de seus habitantes.
Indole melhor, não conheço. Ahi pode o viajante affrontar, desarmado, a toda a hora, os sitios mais ermos.
Se for apanhado pela noite ou pela chuva, encontra abrigo e refeição frugal, mas que achará execellente [sic] : bom pão, saboroso inhame, delicioso leite, queijo de cabra e agua crystallina, como em poucas partes se bebe.
Acha-se em pleno matto e perplexo na orientação : não lhe faltará guia prompto e desinteressado a mettel-o a bom caminho ou a acompanhal-o mesmo ao seu destino.
Chegamos a esquecer, n’este meio excepcional, tudo quanto nos traz em guarda contra a humanidade.
E não ha, perguntar-me-hão, excepções a estes actos de cortezia e hospitalidade?
Ha !
É o homem cujos passos pesados e botas de grossas solas ouvireis a um kilometro de distancia; é o homem que passa sem vos cortejar; é o homem que á porta da sua casa vos vê passar debaixo d’um temporal de chuva e vento sem vos offerecer abrigo; é o homem, em summa, que sahiu para os Estados Unidos e que voltou com umas aguias d’ouro na algibeira e a indifferença dos paizes, que chamamos civilisados, no coração.
Linguagem descomposta nunca ouvireis; mendicidade não vereis, e tão pouco vos constarão casos de furto.
Um ladrão é um ente desprezivel entre esse povo. De noite pode-se ficar de portas abertas.
A cadeia não conta inquilino annos inteiros.
Só a politica, mãe da discordia social, intolerante nas Flores como em parte alguma[14], tem a habilidade de a limpar das teias d’aranha.
Por occasião das eleições o partido dominante enclausura os influentes contrarios e, caso engraçado, um administrador de concelho chegou uma vez a metter na cadeia o substituto do juiz de direito, então ausente.
Que esta pureza de costumes (simplicidade lhe chamará o mundo, mas a que eu dou uma interpretação mais elevada, congenial, não só ás disposições d’indole, mas tambem d’espirito, não só aos effeitos d’educação, mas tambem de raciocinio) : que esta pureza de costumes, repito, (áparte a politica) podesse irradiar d’aquelle pequeno centro para o mundo inteiro. É assim que o homem deve ser para com Deus e o seu semelhante; para com Deus, porque comprehenderia os designios do Altissimo e corresponderia aos fins para que fôra creado; para com o seu semelhante, porque conheceria que lhe deve o que deve a si mesmo.
Mas eu vou longe e não quero abusar nem da paciencia do leitor, nem da condescendencia de quem, mui benevolamente, me franqueou as columnas d’esta illustrada publicação mensal, fineza que agradeço penhoradissimo, e offerecimento que abracei para mais uma vez, e renovando o que fiz na qualidade de empregado fiscal do Governo, advogar os interesses materiaes aduaneiros e commerciaes d’uma terra e d’um povo pelos quaes tenho singular predilecção.
Concluo, dizendo que todos os melhoramentos que deixo aqui enumerados podem computar-se em 10:000$000 réis, quantia esta que representa approximadamente o saldo annual a favor do Thesouro do rendimento das diversas contribuições das Flores, pagos todos os seus encargos e que, com toda a justiça, devia applicar-se em seu beneficio e para a prosperidade do proprio Estado que, em poucos annos, ficaria reembolsado com as vantagens que ahi colheria.
GUILHERME READ CABRAL.
[1] Tal como Read Cabral indicou nos outros seus dois textos sobre as Flores, trata-se de José Constantino da Silveira e Almeida. Foi ele que importou dos EUA, em 1856, os dois primeiros botes baleeiros dos Açores, que trouxe para o porto da Fajã Grande. Em 1860, transferiu-as para Santa Cruz e entregou-as a oficiais, criando a primeira armação costeira da baleação dos Açores. Foi recebedor da comarca das Flores, segundo O Amigo do Povo, ano 1, n.º 28, de 16 de Julho de 1870, cargo que manteve até à sua exoneração em 1902, a seu pedido, conforme noticiado no Portugal, Madeira e Açores, ano 19, n.º 869, de 5 de Dezembro de 1902, página 3. Foi vice-cônsul da «prospera e rica» República Argentina, tendo publicado n’O Florentino, ano 3, n.º 149, de 30 de Outubro de 1889, página 3, um anúncio fornecendo os seus serviços consulares e enaltecendo a Argentina, «digna emula de sua irmã mais velha, a poderosa Republica Norte-Americana», como destino de emigração. N’O Fayalense, ano 16, n.º 44, de 15 de Junho de 1873, apresenta-se a sentença, que o ilibou, de Luiz da Costa d’Azevedo Coutinho, em processo decorrido em Santa Cruz das Flores que o opôs a Estulano Augusto Bicho Flores, comerciante. Ver também O Fayalense, ano 16, n.º 35, de 13 de Abril de 1873, onde Bicho Flores responde à sua ameaça de processo. N’O Atlantico, ano 18, n.º 33, de 29 de Janeiro de 1880, Constantino Xavier de Mesquita, administrador do Concelho da Villa das Lajes, publica uma carta praticamente desafiando-o para um duelo por ter chamado aos membros do partido progressista das Flores «vis bandalhos» e «trastes». Foi nomeado substituto do juiz de direito das Flores, segundo o Portugal, Madeira e Açores, ano 7, n.º 292, de 20 de Novembro de 1890 e ano 8, n.º 370, de 5 de Julho de 1892, em conjunto com José Lucio de Mendonça e Figueiredo, que foi proprietário e editor de O Florentino. N’O Florentino, ano 3, n.º 151, de 20 de Novembro de 1889, surge notícia da captura de um cachalote pelos seus botes. No Portugal, Madeira e Açores, ano 17, n.º 772, de 27 de Novembro de 1900, noticia-se a também a captura de cachalotes pelas suas canoas : «No dia 4 do corrente as canôas baleeiras dos srs. Braz Theodoro da Costa e José Constantino Silveira e Almeida, arpoaram 8 cetaceos que produziram 82 barris de azeite. \ N’um só dia foi a primeira vez que fizeram tão grande pescaria, porém eram muito pequenos.». Outras notícias envolvendo Silveira e Almeida : O Atlantico, ano 8, n.º 49, 1870-05-26; O Amigo do Povo, ano 1, n.º 28, 1870-07-16; O Atlantico, ano 9, n.º 21, 1870-11-10; O Atlantico, ano 10, n.º 3, 1871-07-06; O Fayalense, ano 16, n.º 31, 1873-03-16; O Fayalense, ano 16, n.º 44, 1873-06-15; etc. Note-se que a maioria das notícias, artigos ou cartas ao redactor onde surge se referem a conflitos legais e políticos.
[2] Confusão de Read Cabral. A Ribeira dos Moinhos está perto de Ponta Delgada, a caminho da Ponta do Albernaz.
[3] Alexandre Leite da Gama ou Alexandre Leite da Gama Bettencourt (São Pedro, Ponta Delgada, 11 de Novembro de 1857 — Velas (?), 24 de Abril de 1913), foi um industrioso gentleman farmer descendente de famílias micaelenses com origem fidalga e, provavelmente, um dos mais importantes, senão pioneiros, industriais do queijo de São Jorge.
Diz em 28 de Abril de 1913 o correspondente em São Jorge do jornal Portugal, Madeira e Açores, ano 29, n.º 1371, de 28 de Maio de 1913-05-28, página 3 :
«Faleceu a 24 do corrente o industrial Sr. Alexandre Leite da Gama Bettencourt, cavalheiro micaelense que haverá 20 anos se encontrava entre nós e a quem a industria de lacticinios muito deve nesta ilha. O finado era um verdadeiro fidalgo não só pelas suas ações que só elas o nobilitavam, mas ainda pelos seus antepassados, fidalgos micaelenses de nobre estirpe. Por disposição de ultima vontade foi o seu funeral simples e pobre como do mais pobre individuo. Não quiz que vestissem fatos luxuosos, mas que o seu corpo fosse apenas envolto na bandeira verde e vermelha, a bandeira nacional e que o seu enterro fosse civil. Mortal que soubeste ser homem e amas acrisoladamente a tua patria descança em páz, que eu reverente me curvo ante a tua humilde campa !»
Foi filho de Manuel Leite da Gama Bettencourt (— Ponta Delgada, 6 de Setembro de 1872) e de Maria da Glória Leite (Maria da Glória de Medeiros Vaz Carreiro, como solteira), casados em 16 de Maio de 1844. Terá casado por volta de 1877 ou 1878, com 20 ou 21 anos. Foi sua esposa Francisca do Canto Leite da Gama (1860 – Ponta Delgada, 23 de Janeiro de 1902), com nome de solteira Francisca Botelho do Canto, filha de Honorato do Canto e de Maria Teodora Botelho. Em 1880 e 1881 morava na Rua do Botelho, São Pedro, em Ponta Delgada. Em 1883 estava já a morar na Rua de Santa Catarina, São José, em Ponta Delgada. Anos mais tarde, fixou-se nas Velas, em São Jorge, onde já o encontramos em 1896.
Foi daqueles personagens açorianos que, pelo seu nascimento, ou pelo seu sucesso, ou ambos, teve o privilégio de ter as suas idas e vindas, e mesmo os seus aniversários, noticiados pelos jornais. Contei 70 referências às suas viagens (embora, no final da sua vida, algumas possam ter sido viagens de um seu homónimo, pois creio que partilhava o nome com um filho ou sobrinho).
Provavelmente fez os seus estudos em Lisboa, dadas as notícias dos seus deslocamentos em período de férias entre a capital e Ponta Delgada, enquanto menor. É também possível que tenha posteriormente estudado em Paris.
A actividade industrial de Leite da Gama está bem resumida no artigo «O leite e os lacticínios nos Açores – Um contributo para a sua história», de L. H. Sequeira de Medeiros, nas páginas 189-239 de Leite e lacticínios em Portugal : digressões históricas, publicado pela Confraria Nacional do Leite em 2016 e organizado por Jorge Fernandes Alves (org), tendo o próprio organizador e L. H. Sequeira de Medeiros e João Cotta Dias como autores :
«Já no que diz respeito a S. Miguel, Faria e Maia* atribui a Alexandre Leite da Gama o início da produção industrial de queijo numa fábrica que instalou no lugar do Pópulo, freguesia do Livramento em Ponta Delgada, em data que estima entre 1880 e 1882. Com vista a tomar contacto com o fabrico de Queijo de São Jorge, Alexandre Leite da Gama deslocou-se a essa ilha e lá contratou, na freguesia de Norte Pequeno, a queijeira Ana Augusta Pedrosa que veio trabalhar na sua fábrica do Pópulo, em São Miguel. Entretanto, deslocou-se a Londres onde adquiriu equipamento moderno e contratou um mestre de fábrica, Mr. Barber, que o acompanhou e que com ele trabalhou durante vários anos. Apesar de tudo, os resultados não foram animadores, o que levou o industrial, em 1891, a transferir a fábrica para a freguesia das Furnas, onde permaneceu cerca de três anos [sob o nome Queijaria Furnense]. Porém, os resultados desta segunda tentativa, de acordo com o autor, foram “catastróficos”, o que determinou o regresso às antigas instalações no Pópulo. Pouco tempo depois, o seu espírito irrequieto levou-o para S. Jorge, acompanhado do mestre inglês Mr. Barber, para onde transferiu o equipamento para a fábrica que montou na freguesia da Beira em sociedade com José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa Júnior. Uma vez mais a iniciativa não resultou. A sociedade dissolveu-se um ano depois e Mr. Barber regressou a S. Miguel. Cada um dos ex-sócios continuou separadamente a fabricar o seu queijo, sendo considerado o que Alexandre Leite produzia em Santo António (S. Jorge), um bom queijo*.
Excetuando as unidades de fabrico de queijo de São Jorge, que, como já descrito, laboravam desde o séc. XVIII, do que não restam dúvidas é que estes dois homens (Alexandre Leite e Cunha da Silveira e Sousa), conjuntamente com José Luís de Sequeira que, em 1887, criou a fábrica do Reguinho na Terceira (mencionada por Cunha da Silveira no texto atrás transcrito), podem ser considerados como os pioneiros da indústria láctea açoriana moderna.
*Victor Machado de Faria e Maia – Os Lacticínios no Distrito de Ponta Delgada (Apontamentos para o seu estudo). Boletim da CRCAA, números 6 e 7, 1947 e 1948.»
(Infelizmente, não consegui acesso ao artigo de Victor Machado de Faria e Maia.)
Os seus produtos foram merecedores de sucessivos prémios nas várias exposições em que foi participando. Não deixou, porém, de ser alvo de invejas, tendo mesmo sido acusado, já tardiamente na sua vida industrial, de falsificação da manteiga, por adição de água. Na sequência da acusação, foi feita uma inspecção e análises cujos relatórios o ilibaram totalmente.
[4] Houve mais tarde uma Drogaria Açoreana, na Rua da Prata, 99. Desconheço onde seria a loja Açoriana.
[5] O Padre José Furtado Mota (Santa Cruz das Flores, 29 de Julho de 1878 — Lajedo, 16 de Fevereiro de 1963), anos mais tarde, acabaria — embora de outra forma — por tornar este sonho realidade. Quanto à utilização da planalto central para produção de laticínios, existiu de facto, mais tarde, através da empresa Martins e Rebello, que não longe da Capela de Nossa Senhora das Flores construiu um complexo de edifícios em betão armado, hoje desertos.
[6] 500 000 000 de réis.
[7] Talvez se refira à Quebrada dos Fanais ou Nova dos Fanais, ocorrida aparentemente em 1847.
[8] A produção do trigo iria sofrendo um sucessivo declínio. Hoje, quase não há memória dele, para além das eiras espalhadas por toda a ilha, algumas delas preservadas, outras abandonadas enquanto tal, e já pouco on nada identificáveis.
[9] O musgão, nome dado às plantas das várias espécies do género Sphagnum existentes nos Açores e não Flores em particular.
[10] E de que resultou o relatório «A Ilha das Flores», assinado em Lisboa em 10 de Junho de 1891, de que já falei.
[11] Não é claro se se refere ao relatório oficial da sindicância ou ao que viria a publicar autonomamente na sequência dessa sindicância. Se o primeiro, estará nos arquivos, junto com os anexos, algures. Se o segundo, a versão que obtive omite estes anexos.
[12] Provavelmente o edifício da velha alfândega, junto ao Porto Velho, hoje deixado ao abandono pelo estado.
[13] Será, talvez, o edifício onde está instalada hoje a lota.
[14] Isto é inteiramente verdade. Basta ler os jornais da época, violentíssimos.
Pesquisa feita pelo Professor Emérito Manuel Menezes de Sequeira
