Cânticos do Mesmo Sal- A Poesia de José do Carmo Francisco

Rosa Luz

Há uma rosa a arder. Já não é lume
Apenas foco de luz sem combustão
No fósforo mal aceso deste ciúme
Só sobejaram os sinais da tua mão


A tua boca foi o botão anunciado
Os teus dedos o que ficou da haste
Procurei a tua voz em todo o lado
Mas foi na rosa ardida que ficaste

Canção breve para Cristiano Ronaldo em Dublin
Em Pina Manique o árbitro salvou-te a vida
O enfermeiro deu cobertor e injecção
Em Dublin pode ter sido a última partida
O árbitro tinha prego de morte no coração.
No estádio não estavam só os irlandeses
A darem largas a uma alma tão pequena
Estavam mesmo sem estar os portugueses
Ser mínimo e mesquinho é uma velha sina.

Canção breve para a marcha Senhora da Neves
(a Rogério Barros)
Oiço esta marcha e estou de novo
A segurar a naveta do incenso
Sobe no ar uma oração do povo
Vou secar lágrimas e não há lenço.
À frente vai o Guião da Padroeira
Seguem-se Bandeiras, Estandartes
Cantar é rezar de outra maneira
A música é a melhor das Artes.


José do Carmo Francisco, poeta


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