
João Carlos Lopes em novo livro
Baleeiros do Faial
João Carlos Lopes (n.1959) assina este livro/álbum de 155 páginas, 24 fotografias, um quadro de Juri Arrak, dois desenhos técnicos e uma gravura do Museu de New Bedford. Trata-se do trabalho final do Curso de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa resultante de uma estadia na Horta, Ilha do Faial, no Verão de 1982. A baleia é o primeiro animal a ser referido nas páginas da Bíblia: «Um dia antes do homem e depois do céu e das estrelas, da luz e das trevas, Deus criou as baleias. Era a tarde do quarto dia.» O poema «Ilha» de Pedro da Silveira está na página 34: «Só isto:/O céu fechado, uma ganhoa pairando. Mar. E um barco /na distância: olhos de fome a adivinhar-lhe à proa, Califórnias perdidas de abundância». À porta do Café Silva, com uma cerveja na mão, um baleeiro diz : «Gosto mais das baleias que da minha mulher e dos filhos. Eu gosto deles mas o meu coração, o meu gosto, está nas baleias, é verdade, o meu coração está lá.» Os mestres Carlos Eugénio, José Rufino e Carlos Serpa falam das suas vidas, das baleias e do mar, das mulheres e da religião, do seu passado e do seu presente, da democracia e da política.Os depoimentos vão da página 91 à 135.Um deles (José Rufino) acertou na previsão: «Tenho cá para mim que esta vida vai a acabar…» Fica esta memória futura porque como diz Octávio Paz «o passado não passou, nem sequer ainda é passado». (Texto da contracapa -Manuela Ivone Cunha, Fotos – Luís Pavão e Abílio Dias, Grafismo- Rosa Moita. JCF
José do Carmo Francisco, escritor
