Páginas da Açorianidade de António M.B. Machado Pires or José do Carmo Francisco


Neste livro de 94 páginas (edição Letras Lavadas) sobre o tema da Açorianidade (termo
criado em 1932 por Vitorino Nemésio) o autor (1942-2022) junta dez textos escritos
entre 1980 e 2012. Pode ler-se na página 80: «A Açorianidade como designação
específica da identidade insular pode servir de base ontológica colectiva à Autonomia.
Mas não deve é confundir-se um conceito e uma carga antropológica cultural com uma
arma política sem fronteiras conceptuais. Ser açoriano é ser mais do que ser-se
politicamente, é ser-se consequência da história portuguesa, peninsular, europeia e
ocidental cristã.» Apesar da distância, as Ilhas não formam «uma sociedade de raízes
medievais fechada nas brumas atlânticas» pois «Companhias de teatro, livros,
professores novos, visitantes ilustre, filmes, jornais e revistas – tudo vinha nos navios
da Insulana». E Vitorino Nemésio regista em 1950 («Festa Redonda») essa mudança:
«A moda da gasolina/Secou o trigo do chão/Fez das Lajes um terreiro/Oh que dor de
coração!». Una e diversa na sua origem, a população das nove Ilhas «é oriunda do
continente português, primeiro do sul e depois um pouco de toda a parte». Na página
31 o autor avança com dois conceitos: Ilha e Açorianidade. Primeiro: «A ilha em que
nascemos é um eixo do cosmos, uma pequena pátria, um mundo de referências
matriciais». Segundo: « A compreensão do outro e a visão de fora para dentro serão
talvez o único único antídoto a uma açorianidade traumática». Nota importante está
na página 82 sobre o uso da palavra diáspora: «diáspora é um termo que diz respeito a
experiência de judeus injustamente perseguidos e dispersos por esse mundo fora. Os
açorianos não são perseguidos nem «comiserados». Antes admirados, quando muito
carecidos de mais apoio e cultura». JCF

José do Carmo Francisco, poeta/escritor

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