Um Algarvio em terras do Tio Sam

António Domingos Pereira, com o pseudónimo António Algarve, nasceu em Olhão, 1928.
Muito cedo começa a frequentar a escola: “eu tinha cinco anos e andava na escolinha na rua do Padre Delgado’. A professora era uma senhora muito bondosa, a D. Encarnação. Aí estabelecemos os nossos primeiros contactos sociai, fizemos amizades sinceras e colhemos recordações que nos acompanham vida fora.”
Terminada a instrução primária, matricula-se na área comercial; mas o seu sonho era ser advogado, e quando se preparava para entrar na érea de Direito, morre o Dr. Carlos Fuzeta, que sempre fora o seu orientador, amigo e conselheiro nas artes e literatura, e sempre o incentivara a prosseguir os estudos.
Porque os meios financeiros da família não são os mais desafogados, com apenas 16 anos resolve empregar-se em casas comerciais; aos 18 anos é funcionário da Secretaria da Junta Autónoma dos Portos do Sotavento do Algarve.
Acentua-se nesta altura a sua sensibilidade às dificuldades sociais existentes no país, muito em concreto na classe dos pescadores, envolvendo-se no combate ao estado social e à extrema pobreza do seu povo de Olhão. Foi nessa altura correspondente, em Olhão e Faro, do Diário Ilustrado de Lisboa. Nas suas reportagens e contos bate-se fortemente por causas que interessam ao Algarve e a Olhão. É incomodado pela polícia política: “Não gosto de ditaduras, nem de direita nem de esquerda”.
Tinha grande paixão pela literatura e não se cansava de participar nas tertúlias com seus antigos colegas de escola. Ao longo dos anos, a leitura e os contactos com escritores de diversos quadrantes da vida cultural portuguesa tornaram-no num grande contador de histórias, particularmente de Olhão, a sua terra.
O seu envolvimento social e político levou a que, por razões de insegurança, António Algarve se tivesse ausentado do país com destino aos Estados Unidos em 1960, deixando para trás família e amigos. Matricula-se numa escola americana, reside no Greenwich Village, reconhecido berço cultural de New York, trabalha na New York University; arrisca na actividade comercial, mas vai viver para Newark, New Jersey, mantendo o negócio até se reformar.
Corre-lhe nas veias o sangue da escrita; escreve nos jornais comunitários – Jornal Portuguese Times, tanto em New Jersey como Massachussetts; mais tarde foi Editor-Adjunto do Portuguese Post, onde inicia uma página com o título “Caleidoscópio – histórias de todos os tempos”.
Participou em concursos literários tendo sido distinguido
Deixou dois livros – “Gente de Olhão: o seu humor e a sua graça…”, e um outro, nunca publicado, e cujo paradeiro se desconhece. Publicado em parceria com o seu amigo Baldomiro Soares, Caleidoscópio é um exemplo de escrita de saudade da sua terra e origem algarvia, com inúmeras histórias curtas e contos pintados de um fino e subtil humor! Esta resenha biográfica só foi possível devido à contribuição do seu amigo e colaborador Baldomiro Soares. Obrigado
João Martins, poeta

Do lado Esquerdo ANTÓNIO ALGARVE – No lado direito BALDOMIRO SOARES


