Um Homem Novo – Por entre os horrores da guerra
Fernando Cruz Gomes, Chiado Books, 2018

Fernando Cruz Gomes nasceu na Pampilhosa da Serra, Coimbra, em 1940 e foi na Angola colonial que, desde o início de 1960, exerceu a sua profissão como jornalista e homem da rádio. Passou 25 anos naquele país, tendo desempenhado funções no “ABC Diário de Angola”, na “Rádio Eclésia”, no diário de Luanda “O Comércio”, “A Província de Angola” (hoje Jornal de Angola), no “rádio Clube de Benguela” e na “Emissora Oficial de Angola”.
Acompanhou sozinho, durante um mês, os combates entre exército português e as guerrilhas na zona do Uíge, em 1960, no que constituiu o início da Guerra do Ultramar.
Foi também presidente da secção de Angola do Sindicato Nacional de Jornalistas, vogal na Assembleia Legislativa do Estado Português e representante dos trabalhadores na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Emigrou para o Canadá em 1975. Foi correspondente da Lusa (e da sua antecessora NP) entre 1985 a 2005. No Canadá foi fundador e diretor de jornais: “Popular”, “Comércio”, “Mundo”, “ABC Portuguese Canadian Newspaper” e “A Voz”, colaborando ainda com a estação de televisão canadiana CFMT onde foi repórter e locutor apresentador (anchor) de 1985 a 1999. Nos últimos anos de vida, Fernando Cruz Gomes foi editor e repórter na CIRV Rádio e na FPTV.
Em 2014, é-lhe atribuída a Ordem do Infante D. Henrique.
Faleceu a 19 de outubro de 2018.

No livro “Um Homem Novo – Por entre os horrores da guerra” o personagem principal é Maiato Antunes, um humanista cujo sonho é ver surgir um “homem novo”, isto é, com um outro modo de pensar para que seja possível encontrar solução para os conflitos entre pessoas de estatuto social e cor diferentes. A ação decorre numa Angola colonial, quando se dá o início dos confrontos armados de que o personagem é testemunha e vai noticiar, dada a sua profissão.
Identificamos o “herói” com o autor e a sua família e vivemos as angústias, os desafios, as decisões difíceis que, desde 1960 até à independência de Angola em 1975, sofrem, enfrentam e precisam de tomar. Dois outros personagens, os filhos Domingos e Tozé, crescem com os ensinamentos de Maiato que neles deposita a esperança de um mundo melhor. Os horrores da guerra colonial, as desilusões sofridas pelos angolanos perante o processo de descolonização, os sonhos desfeitos dos que acreditam num mundo melhor – tudo isso é abordado por Maiato Antunes, um jornalista que vê, analisa e transmite a verdade com a ética profissional que aprendeu a respeitar desde jovem. O livro deixa-nos com algumas respostas às questões que se colocaram a quem viveu essa época da nossa história colonial. Aos leitores em geral são os horrores da guerra, infelizmente presentes ainda noutras geografias, que nos ensinam a apreciar a paz.
Manuela Marujo – Emérita (Universidade de Tornto, Canadá)
